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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Kicking ass and taking names

Rato do Pântano 4 - Don Garlits a.k.a "Big Daddy"
Segundo o Urban Dictionary, a expressão "kicking ass and taking names" significa:
 
O ato de ser inequivocamente incrível. Que geralmente implica em derrotar os adversários mostrando como se faz, deixando-os com cara de bobos. É realmente uma ação digna da mais alta honra.

Refere-se a um velho dito: "Detonar em primeiro lugar, tomar os nomes mais tarde," ou "atirar primeiro, perguntar depois".


E a arrancada da velha escola se resumia justamente à isso: Detonar os adversários primeiro, perguntar os nomes depois. Mas que nomes! A cultura de arrancada americana é muito rica e um de seus ritos mais tradicionais, talvez herdado da 2a Guerra Mundial, é o de nomear seus carros de corrida, assim como os pilotos davam nomes aos seus aviões de combate.

No Brasil, raramente vemos carros com nomes. E quando aparecem, quase sempre são nomes óbvios e sem nenhuma imaginação, como "Flecha de Prata", "Laranja Mecânica" ou qualquer coisa que o valha, quase sempre fazendo uma referência à cor do carro e alguma expressão famosa, sem ter relação nenhuma com o carro, preparação ou características e história do piloto. 

Os criadores da arrancada não são necessariamente gênios e lá também há batismos superficiais ou pretensiosos, mas a bagagem associada ao esporte a motor é muito maior e o pessoal do meio possui uma notória cultura de não levar-se tão a sério. Isso resulta em nomes incríveis, que pretendo postar por aqui, sempre que tiver oportunidade.

Rato do Pântano 12
Swamp Rat é o nome de vários carros de Don Garlits, também conhecido como "Big Daddy", uma das maiores figuras da arrancada de todos os tempos. O nome significa "rato do pântano", e surgiu após uma ida a Califórnia. Sendo natural da Flórida, Garlits decidiu fazer a viagem de costa a costa com seu dragster, para provar que seus tempos de pista eram verdadeiros, ao contrário de alguns boatos que circulavam no oeste. Lá recebeu a alcunha de "floridian", por ser um forasteiro. Assim ele mesmo resolveu dar aos seus carros o nome de "ratos do pântano" em alusão jocosamente auto-pejorativa a geografia de seu estado natal.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Bomber seats


"Os “bomber seats” são muito usados nos hot rods americanos. Certamente a quantidade de cemitérios de aviões militares facilita a vida dos gringos. O que hoje é um toque especial na construção de um hot, antigamente era uma alternativa que os rodders usavam para aliviar peso de seus carros. Quem gosta de carros e corridas sabe que o peso é essencialmente determinante nos resultados. Lembrando que na época, fibra de carbono, de vidro, substituição dos vidros por lexan e outras coisas do gênero, não eram nem imagináveis. As peças mais leves eram feitas de alumínio. Logo a galera se “antenou” que a ajuda vinha do céu. De certa forma a Força Aérea Americana ajudou a desenvolver a historia dos hotrodders doando peças."

Veja tudo no Shovelhead

terça-feira, 14 de junho de 2011

Engenhosidade em ação

Rod Singer, vencedor da "Top Eliminator" no Nationals de 1959  da NHRA

Filme muito legal que mostra um pouco do que era correr arrancada no final dos anos 50 na terra do Tio Sam. Destaque para as presenças de Wally Parks, então presidente da NHRA, Ed Cole, executivo da GM, Tex Colber, executivo da Chrysler e Robert Petersen, da Petersen Publishing fundador das revistas Hot Rod, Motor Trend e Car Craft. Tudo isso em Detroit, na frente de 80 000 espectadores.

"Never before had so much high-level attention been focused on the drags"   wrote NHRA President Wally Parks

"Nunca antes houve um nível tão alto de atenção focada nas arrancadas" escreveu Wally Parks, o presidente da NHRA

Vale também lembrar a presença de Art Arfons (posteriormente três vezes recordista de velocidade em terra) e seu dragster Green Monster, com motor Alisson V1710, um V12 de cerca de 2000 cv que equipava aviões da segunda guerra, como o Curtiss P-40 e as primeiras versões do Mustang P-51.

Sem falar é claro nos "twin engined cars", com seus dois motores V8 nos mais diferentes arranjos.

Simplesmente lindo.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Clássicos II


Ford Modelo A e Ford e 49 "Shoebox"
Veja mais no blog do Shoebox.

domingo, 29 de maio de 2011

Vão se os anéis mas ficam as histórias!


Quem nunca teve uma motinho? Se você perdeu essa fase, sinto muito por você, porque cresci no meio delas. E houve uma fase em que quase todas as motos do mercado nacional eram CG ou Yamahas dois tempos. E com ou sem fumaça, é um tempo que me deixou saudades.

E foi assim que, navegando por aí, encontrei essa pérola, não resisti e tive que postar.

 Anéis de arame para sobreviver
 Por: DEUDETE (DAVI) OLIVEIRA

"Lá pelos idos de 1981, eu, então Soldado da Aeronáutica (hoje sou Suboficial da Reserva), ganhava menos de meio salário mínimo e tinha uma RD 125 para "criar". 

Essa moto foi adquirida com recursos provenientes do emprego anterior ao Serviço Militar Obrigatório e eu, tinha que fazer o milagre de mante-la "viva".

O motorzinho 2 tempos da RD que era toda linda e original, já estava bastante judiado quando a comprei e foi aos poucos, ficando sem compressão. Parte de cima do motor (cilindro e cabeçote) desmontado, por mim e meu primo João, o diagnóstico: Anéis quebrados (causaram riscos profundos nas paredes dos cilindros), folga nas biélas e uma das "gaiolas" (roletes dos pinos dos pistões) faltando umas duas varetinhas.

De cara vi que éra impossível fazer o motor a curto prazo. Naquele tempo as peças das importadas eram encontradas com certa facilidade, mas o preço... - Muito pior que hoje.

De posse do orçamento feito no Bravo das Motos em Realengo, mensurei que seriam necessários algumas centenas de salários de Soldado. O Haroldo (dono da loja e oficina) me alertou ainda sobre os gastos com retífica e as surpresas que eu teria ao abrir a parte de baixo.
Quando falei para ele que a parte de baixo eu não conseguiria fazer em casa, por falta de experiência e ferramentas, ele riu e disse: Soldado! Quer um conselho? Ve se algum sonhador como você troca essa porcaria numa bicicleta.

Depois das 125 nacionais essas pequenas importadas "já eram", principalmente as 2 cilindros. Mas brasileiro não desiste nunca. Cheguei em casa e resolvi que a RD não poderia ficar ali parada. Afinal eu tinha 19 anos e não dava para comprar outra moto. Ficar a pé? Nem pensar. Mãos à obra. Peças no chão, lixa fina, alicate, lima e arame de aço.
Limei as cavidades dos pistões até que ficassem no ponto de encaixar perfeitamente o arame. Preparei os círculos de arame para substituirem os anéis, limei bem as pontas onde foram cortados, para que fechassem com perfeição, lixei os cilindros para amenizar os riscos, fabriquei (com eixos das rodinhas de carrinhos de brinquedo) as 2 varetinhas das gaiolas e comprei apenas junta do cabeçote.

Motor montado, pé no kick e a RD voltou a rodar - não com a disposição que uma RD 125 tem (mas voltou). Isso mesmo! ANÉIS DE ARAME.
Amigos do Clássicas70, me perdoem pelo que fiz. A lei da sobrevivência não me apresentou outra saída.

A RD 125 ficou com os anéis de arame até eu vende-la para "fechar" com uma RD 200 da mesma cor - "meio cereja". A 200 estava com o motor bom, tinha partida elétrica (como todas as RD 200), mas estava muito feia. Ah sim. claro que avisei ao novo dono sobre os anéis de arame da 125, antes da venda.

A valente e linda RD 125 que sobreviveu com os ANÉIS DE ARAME, fabricados por mim, para que podesse continuar sendo uma RD 125, acabou transformada em RX 125, com partes de uma moto nacional acidentada. Isso sim um sacrilégio - obra do mecânico que estava fazendo o motor e a recebeu do dono, quando este não suportou o preço das peças."
Sequestrado de http://www.motosclassicas70.com.br/. Se for a sua praia, não deixe de visitar.
Eu e minha RD50, mais de vinte anos atrás

sábado, 7 de maio de 2011

A noite do Rato


Era uma vez, em 2005. As ruas de Porto Alegre estavam infestadas de rachadores, que pilouqueavam os mais diversos tipos de carros, desde originais dos pais, até os mais fortes quatro cilindros turbinados, V8 aspirados ou mesmo os melhores superesportivos que os filhos não tão pródigos da elite local pudessem oferecer.

Tínhamos rachas de turbos contra veoitos, volks contra chevrolet, fuscas contra gols, chevettes contra corvettes, carros contra motos, subarus contra voyages e o que mais você puder imaginar acontecia, logicamente sem regras. Botava do lado quem achava que dava e era isso.

Era uma época em que a cultura de carros fervilhava nas ruas, e que a galera corria na rua pelos mesmos motivos de sempre. Motivos que nos dias de hoje dificilmente podem ser justificados, exceto por um: De fato não havia opções alternativas para quem queria correr.

Esse caldeirão que misturava as diferentes ideologias das pessoas "envolvidas" acabou se transformando numa panela de pressão, que resultou logicamente em acidentes, mortes, mídia negativa e combate aos rachas por parte das autoridades. Isso tudo reduziu muito os pegas.

Tudo que ocorreu foi um passo necessário para a evolução e ao mesmo tempo também acabou resultando numa cultura de corridas alternativa, sem regras, que hoje começa a ser identificada pelo termo OUTLAW. Claro que ainda existe gente acelerando na rua de Porto Alegre e a grande verdade é que provavelmente isso jamais vai acabar. Mas a importância cultural dos pegas de hoje é bastante inferior ao que já foi. Hoje em dia um cara que se preza nesse meio tem que ter a coragem de ficar frente a frente com o pinheirinho.

Mas naquela época haviam os pegas. No beco, no aeroporto, no porto seco, no palácio do x... Mas o beco era, como diria um mecânico amigo meu: "o auge". E lá, entre pegas inesquecíveis e desimportantes, várias pessoas escreveram alguns capítulos de suas histórias, que em sua maioria só tinham importância mesmo para aqueles que estavam atrás do volante e talvez um pequeno grupo de amigos que iam lá para sentir a adrenalina e torcer pelo carro do seu camarada.

Dentre todos esses, um dos que mais me lembro foi o então conhecido como "acelera polêmico". Foi mais ou menos assim:

Influenciado por um dos apóstolos, Tupamaro havia comprado um Civic VTi modelo antigo. Logo descobriu que o umpontoseizinho era um pequeno diabo e que dava trabalho pesado para os dois litros. Assim, começou a "se envolver" na noite.

Papando alguns turbinhos mais fracos, alguns aspiradinhos e vários originais, o Rato - como era conhecido o carro - acabou encontrando dois rivais a altura.: O Sedici do Magro e VTS do Menudo. De início o Rato ganhava todas, mas aos poucos o Magro e o Menudo começaram a modificar seus bólidos, colocando filtro, escape, dosador, chip e etc. Até que chegou num ponto onde todos já tinham certeza de que o Rato haveria de ficar para trás.

Com os "ups", o VTi certamente também atingiria melhores performances, coseguindo encarar o Sedici e o VTS. Mas havia um problema: Nosso herói Tupamaro estava curto de caixa e não tinha a grana para fazer os "ups" no Rato. Cientes desse fato, seus adversários começavam a pressioná-lo, em certas ocasiões, publicamente. E nosso amigo Tupa era obrigado a abaixar a cabeça, dar desculpas e não topar o acelera.

Essas ocasiões foram se repetindo e os adversários ficavam cada vez mais confiantes e pressionavam cada vez mais o Tupa para que colocasse o Rato no beco, mas ele firme negava o pega com a justificativa de que não era mais necessário acelerar com eles, pois já havia lhes dado pau e afinal, pai é pai, não é padrasto. Mas no fundo todos já sabiam que se o Rato fosse pro pega, ia voltar com a bunda vermelha do espanco.

Até que numa dessas noites de quinta feira, o posto estava bombando. Tupamaro estava dentro da loja de conveniência, fazendo o lanchinho da madrugada. A loja é toda de vidro e Tupa vê chegar lá na rua um comboio de carros, à lá F&F e na frente vem o Sedici do Magro. Irado, o fino desce do carro e começa a gritar, da rua mesmo, para o Tupa dentro da loja:

"Hoje não tem mais desculpa! Tu vai ter que acelerar! Que que foi??? Tá arregando??? Tu sabe que vai tomar pau!"

Aquilo foi demais. A intimada foi brutal e na frente de todo mundo. Se o Tupa não aceitasse o desafio, iria ficar conhecido como O CAGALHÃO do VTi.

A conveniência virou a atenção de todos, que aguardavam o Tupa terminar de deglutir a última bocada de seu lanche, todos já preparados para a arregada monumental. Mas então, numa virada mais impressionante que a dos ciganos em "Snatch: Porcos e Diamantes" o nosso amigo Tupamaro pronuncia, tranquilíssimo, ainda limpando os farelos de empadinha da boca: "Ok então, se tu faz questão, vamos pro beco..."

UHHHHHHHH! A torcida fez o mesmo som que um estádio, quando o juiz marca a falta no limite da grande área.

Correria, função, todo mundo voando pro beco.

Lá a mesma baderna de sempre: Gente se batendo no caminho pro pega, macacada na ponte, pulando, louca pra nadar na lama do Dilúvio. Moda casa com uma cacetada de carros no oblíquo e a expectativa era grande. Os 3 alinhados: o Rato com o Tupa na pilota, o VTS do Menudo e o Sedici do Magro.

Largam. Primeira marcha é tudo meio parelho, se falta hp o Rato compensa no escalonamento. E de segunda e terceira é que vão falar os upgrades dos outros. Mas algo incrivelmente inesperado acontece e quando todo mundo esperava que o Rato começasse a ficar lentamente para trás, ele emite um som incrivelmente alto, e destracionando igual a turbo começa a abrir vantagem absurdamente. Não podia ser nada errado com os outros, afinal ambos andavam ali parelhos. Dificilmente os dois estragariam ao mesmo tempo.

Era o Rato mesmo que estava patrolando!

Chegando na modacasa o Tupa está vários carros na frente, passa dando aquele arromba e some da banda, pra nao aparecer mais naquela noite. A galera vai a loucura. Os oponentes descem dos carros batendo porta, ninguém sabe explicar o que houve. Até que um grita: "Ele tava com nitro!"

De fato, o Tupa já estava sentindo que os fatos se desenrolariam dessa forma e tratou de pegar emprestada com o Meu Dez uma garrafa de nitro. Montaram o kit na camufla e não falaram pra mais ninguém os sacanas! Ninguém sabia mesmo! Nem mesmo eu que já havia dado essa sugestão, sonhava que o carro estava nitrado naquela noite.

O resumo da ópera é que o Rato que já era meio capenga passou quebrado na moda casa. Queimou válvula e foi desmontado. Dali em diante virou projetão, nunca mais ficou pronto e a história virou uma lenda da noite.

Muitos reclamaram que não foi justo, que era sacanagem e toda aquela baboseira. Mas como todo mundo sabe, a única regra da rua é que na rua não há regras.

E aquela noite foi do Rato.

domingo, 30 de janeiro de 2011

O bochecho



Bem, estamos na alta temporada de verão: Férias, praia, sobras de contas do final de ano, carnaval no horizonte... Tudo isso significa que a alta temporada de verão acaba sendo sinônimo de baixa temporada nas corridas. Até há alguns eventos ocorrendo, mas nada de muito relevante.

Mas o blog não pode parar, então tenho que achar algo para comentar, mesmo nessas épocas de entressafra. E como o final de um ano geralmente é uma época de auto-avaliação e reflexão, isso acaba trazendo algumas velhas memórias - que no meu caso, quase que invariavelmente tem um carro como tema central, ou o mundo dos carros como pano de fundo - e pensei que essas memórias não podem ser esquecidas, afinal... Poxa, são as memórias da minha vida, tudo aquilo que constitui a própria matéria prima da qual confecciono a minha existência nesse mundo tão efêmero...

Ou, menos filosofica mas talvez até mais importantemente: Precisam ser lembradas, nem que seja para dar boas risadas com os amigos e leitores aqui desse humilde espaço.

Pois bem, vou começar esta com aquela célebre: "Tem um amigo meu..."

Afinal, quem não tem aquele amigo louco, ou melhor dizendo, com uma leve incompatibilidade com a sociedade e com o modo de vida das pessoas "normais"? Enfim, eu tinha um amigo assim. E sendo meu amigo, logicamente que gostava de carros e de modificá-los. E claro que ele fazia isso ele mesmo e à sua maneira, que não podia ser mais peculiar.

Como todo guri, o Gonçalo (não vou usar nomes verdadeiros e à partir daí vocês já devem imaginar que vem bomba) gostava de carros rebaixados, rodas grandes, "euro", com herança preferencialmente alemã. Dirigia um VW já antigo, bem sovado, mas com motor de 2 litros e tinha um desprezo especial por modelos 1.0.

Era o início da era dos carros 1.0, ou um pouco depois, logo após as montadoras abandonarem o sistema "pé-de-boi" e começarem a vender os milzinhos com alguns equipamentos a mais e um visual não tão horrendo como os primeiros modelos.

Hoje, menos ingênuo, desconfio que o Gonçalo não tinha nada de fato contra a motorização 1.0 em si, mas sim em relação ao fato de que esses modelos começavam a representar, para pessoas de de faixa etária e nível sócio-econômico que ele considerava similares aos dele próprio, a chance de adquirir um veículo zero km. Coisa que ele não tinha condições.

Então ele se orgulhava muito do seu Santana GLS 2.0 completo, top de linha, mas que já tinha uns bons anos de uso e na verdade só caiu na mão dele, porque o pai tinha comprado o carro zero e na hora de trocar provavelmente foi mais vantajoso passar o Santanão pro guri, do que passar o desgosto de receber uma ninharia na troca por um mais novo.

Gonçalo não odiava apenas os carros 1.0, mas também todo o estilo de vida relacionado: Trabalhar 8 horas por dia, de camisa e calça social, em algum escritório e, como ele dizia na época: "Não produzir nada". Já ele mesmo sempre foi o tipo de pessoa que produzia muito. Muita confusão, muitos problemas e consequentemente, muitos episódios incomuns, sendo que alguns deles eram bastante engraçados.

Gonçalo não tinha completado o ensino formal. No que tocava a escola, ele era como um Einstein ou Isaac Newton, só que sem a genialidade. Não que fosse burro, bem pelo contrário, mas usava a inteligência apenas para fazer merda.

Certa feita, numa dessas temporadas de verão o pai de Gonçalo resolveu tirar férias e viajar com o restante da família, cometendo a incomensurável insensatez de deixar o filho tomando conta das coisas enquanto ele ficava fora, longe durante semanas e com data préviamente determinada para voltar. Ou seja: Pediu.

De todas as coisas que ocorreram nesse período, vou me ater apenas às que nos interessam e ao menos por enquanto, não vou falar sobre os travestis ou o gato que ele jogou pela janela do sexto andar. Vou falar apenas sobre carros.

Como a viagem era de avião, o confiante pai deixou na garagem seu Passat alemão novinho, na única vaga da garagem do apartamento. E claro que deixou a chave em casa. Nem preciso dizer que o avião ainda nem tinha decolado e no lugar da vaga do Passat estava o Santana, enquanto o legítimo alemão já passeava pelas ruas da cidade, com nosso herói ao volante.

As semanas passaram rapidamente e pelo que eu me lembre, nenhum dano severo foi imputado ao Passat do coroa. Até que chegou o dia da volta. Gonçalo aparentemente queria aproveitar o passat até os últimos segundos e enquanto o avião já estava abaixando o trem de pouso, o tresloucado aparece lá na oficina, precisando de ajuda urgente para tirar o Santana da garagem do prédio e colocar de volta o Passat, tudo no melhor estilo Tom Cruise em Risky Business: Quando o velho chegasse, encontraria tudo imaculado, inclusive o carro, que naturalmente seria o objeto que despertaria a maior desconfiança.

Ah... Me esqueci de mencionar que em função de sua inépcia para os estudos em função de sua total insuburdinação à autoridade, unida a sua criatividade fértil e paixão por carros, Gonçalo acabou se tornando cientista maluco de todas as atividades que envolvessem fios e elétrica de automóveis, como som, alarmes, faróis especiais, vidros elétricos e etc.

Então, não preciso também dizer que ele precisava ajuda porque o Santana não pegava e era impossível empurrar para fora pois o estacionamento em que estava era no nível subsolo. Como não tinha bateria, lá fomos com um cabo de ponte. Fizemos a conexão na bateria do Passat, mantivemos o motor ligado e o arranque do Santanão virava bonito (ainda mais com o nada de compressão que restava ao motor após uns 400 000 km).

Só que o carro não pegava. O troço era carburado à gasolina e concluímos que depois de tanto tempo parado havia secado a cuba. Precisava de um "trago", ou seja, uma injeção de combustível direto no coletor de admissão, assim o motor gira e movimenta a bomba mecânica que puxa combustível para o carburador e assim a coisa vai.

Mas organizado que ele era, não tinha nenhuma ferramenta, não tinha um galãozinho de gasolina e muito menos um recipiente para dar o trago. E o cronômetro correndo...

De rompante, surge um brilho nos olhos de Gonçalo, quase como se dissesse "eureka", ou surgisse aquela lâmpada em cima da cabeça dele, como ocorre com o Professor Pardal. E imediatamente ele começa a fuçar no cofre do Santanão, como se fosse um rato, no meio daquela miríade de fios e cabos de som, alarme e todo o tipo de coisas mais que se possa imaginar, até que encontra o filtro de combustível.

Puxa com vigor a mangueira que leva do filtro ao motor (que logicamente já não tinha mais a abraçadeira) e para o meu espanto ele coloca a boca na saída do filtro e suga toda a gasolina...

Rapidamente ele procura a boca do carburador e cospe aquela gasolina dentro do coletor ao mesmo tempo em que segura a borboleta do 3E aberta... Vira-se então para nós e em seu semblante vemos um misto de felicidade e orgulho pela idéia, mas que não conseguem se sobrepor à cara toda torcida que ele faz em função do gosto repugnante da gasolina dentro da boca. Era como se seus olhos estivessem sorrindo, mas o resto da face se retorcesse de uma forma pior do que se tivesse chupado cem limões de uma só vez.

Mas como sempre ele não se abalou por tão pouco, rapidamente entrou no carro, bateu arranque e... Voilá! Pegou de prima!!!

Mal podía crer. Olhei para o nosso amigo em comum, o Tiago, que estava junto naquela empreitada e percebi que ele estava tão estupefato quanto eu. Não havia ainda nem me recuperado daquilo e ele já estava manobrando o carro para fora e dizendo que agora iria "sobrar tempo" e que tínhamos que subir no apartamento dele, pois ele iria nos mostrar um site incrível. Eu não queria nem imaginar do que se tratava...

Então enquanto subíamos para o apartamento no elevador ele começa a nos falar sobre esse site, o CVS... "Cara, vocês tem que ver, é um site pornô, mas não é um site comum, é o CVS Bizarre Sex! Tem que ver, tem com cachorro, com cavalo, tudo que é bicho! E não é só com bicho, tem com alimentos também, bananas, maçãs e até uma que enfia uma latinha de refri no..."

Nosso amigo em comum então interrompe, aparentemente chocado: "Mas Gonçalo, mulher pelada só ou sexo normal então não tem?"

Antes que Gonçalo pudesse protestar contra a caretice do nosso amigo Tiago, ele sente algo diferente na boca e o clima fica tenso... Começa a mexer num dos molares, como se tivesse algo preso ali e tanto mexe que fica com o dente na mão... Tira da boca, mostra pra nós e fala, como se não fosse nada: "Ah, já sei o que houve..."

Tiago olha para mim e não consegue conter o murmúrio: "Mas ô meu... será que foi a gasolina?"

Normalmente eu teria dado uma gargalhada, mas pra mim parecia óbvio que após poucos minutos de ele ter feito um suculento bochecho com gasolina aditivada o dente dele havia caído, bem na nossa frente... Fiquei mudo, mas Gonçalo escutou o comentário de Tiago e disse hiperativamente, como se aquele elevador não chegasse nunca ao andar: "Fica frio, não tem problema, não dá nada, é assim mesmo".

Assim mesmo???

E assim que saímos do elevador, com essa mesma naturalidade, começou a falar novamente sobre o CVS Bizarre Sex, bastões de baseball e todo o tipo de zoofilia, ao mesmo tempo em que compulsivamente passava a língua no buraco deixado pelo dente que inexplicavelmente tinha caído após um banho de gasolina.

Gonçalo entrou então no apartamento e dirigiu-se imediatamente à geladeira. O apartamento era espaçoso, mas a entrada da cozinha era estreita, de um lado ficava a geladeira e do outro o freezer. Quando foi abrir a porta da geladeira, surgiu do nada um gato branco de madame em cima do freezer. O gato tinha uma expressão assassina nos olhos, parecia uma jaguatirica enfurecida e estava prestes a atacar. A fera felpuda não tomou sequer conhecimento de mim e do Tiago, dava para ver que o negócio era pessoal. Mas felizmente Gonçalo identificou a ameaça a tempo e conseguiu se defender do que seria um ataque fatal "às traição", escorraçando o gato para a lavanderia.

Não sei o que deixou aquele gato assim, mas com certeza os dois ainda tinham algo a resolver. Porém, antes que eu pudesse pensar nisso, Gonçalo abriu a geladeira e pegou da porta um tubo de Super Bonder. Impassível como antes, abriu o tubo, tirou o dente do bolso e começou a colocar cola. Tiago a princípio achou que fosse uma piada, mas quando ele pegou o frasco e começou a colocar cola também na gengiva tudo ficou explicado....

Colou então o dente no lugar, fez pressão por uns 15 segundos, mas que naquela cozinha apertada, a 3 palmos um do outro e com a fera doméstica espreitando de cima da Enxuta, para nós pareceram mais uma eternidade. Quando terminou o processo, cerrou os dentes tentando alinhar melhor a oclusão do molar recém colado, olhou para nós, ambos com os olhos arregalados de incredulidade e disse:

"Vamos ali ver o CVS?"

 Ah, e para quem quer saber dos travestis... Bem, essa eu conto quem sabe nas férias do ano que vem!

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Belly tank



Toda essa história dos hotrods, rodders, salt flats, fords depenados, tetos rebaixados e corridas, se consolidou no pós-guerra americano. Meia dúzia de gatos pingados, loucos por adrenalina e velocidade, reuniam-se simplesmente para ver qual o carro mais rápido. Os recursos financeiros dessa galera estavam longe de serem razoáveis. Como um carro era sempre mais rápido que outro, a busca por desempenho e melhorias era constante. O legal é que quem tá na merda se obriga a ser mais criativo que os outros, daí saíram idéias e teorias geniais. Muitas usadas até hoje!

Na década de 40 Bill Burke corria com Ford 32 pelos lagos secos da Califórnia quando foi chamado pelo exército americano para fazer parte da tripulação de um navio. Um dia, tomando uma Bud bem gelada (essa parte da Bud eu inventei hehe) observava um cargueiro que descarregava os tanques de combustíveis dos aviões de combate P51, os lendários Mustangs.

Leia mais AQUI.

sábado, 13 de junho de 2009

Um pouco de nostalgia...


Em meados de 2006, surgiu pela primeira vez a idéia de uma associação de pilotos amadores de arrancada. Mas diferentemente da maioria das associações de pilotos de automobilismo que sempre estão atrás de modificações nos regulamentos, o que esses amadores queriam era simplesmente correr na pista, da mesma forma que corriam na rua.

Essa simplicidade de propósito no entanto, ocultava coisas muito maiores. Naquela época não se sabia, mas esse grupo estava resgatando o espírito do esporte: Competição lado a lado, ou heads up, como dizem os inventores do esporte. Tudo o que queríamos era competir uns com os outros, nas velhas regras da rua.

Dentro de pouco tempo o Complexo Cultural do Porto Seco - o famoso sambódromo - estava lotado de carros e pessoas para assistirem as disputas. Naquele momento foi iniciado um grande movimento por parte dos preparadores, das pessoas que gostavam de acelerar e até das que assitiam, em prol de uma arrancada de carros de rua dentro da pista.

O clima fervia! A cada prova os tempos baixavam mais e nas semanas que corriam entre as competições ficava-se sabendo que várias pessoas estavam preparando "surpresas". Ouvia-se de tudo, desde aqueles que respeitavam os carros que estavam andando na frente, até alguns mais confiantes, que achavam que bastava se inscreverem para terem a vitória no bolso, tamanha a suposta superioridade de seus carros. Mas como em todo bom esporte, quanto maior o salto alto, maior era o tombo!

Para nós especialmente, foi uma grande época. Competíamos com o que tínhamos e inventávamos novas soluções a cada prova, sempre baixando o tempo. Cada vez que o carro ia para a pista, era uma grande expectativa para saber se o motor iria sobreviver. Começava já pelo burnout: Quem já viu um VTI fazendo o rolo pode achar que tem uma idéia do que eu estou falando, mas o Civic 07 era bem diferente. Quando alinhava para esquentar pneus, com seu cano de escape reto, nitrando a quase 9000 rpm, a arquibancada inteira quase ficava surda.



A cada prova usávamos mais nitro e o barulho do motor ficava cada vez mais alto. Me lembro de ficar na arquibancada superior, ouvir o motor do Civic e pensar: "Agora vai botar tudo para fora"... Fazíamos o possível para isso não acontecer, mas há muito tempo o nível de potência do carro já tinha passado do razoável para um motor completamente original.



Os antigos adversários da rua foram ficando para trás...

E até hoje o melhor tempo do Civic no sambódromo ainda é uma marca de respeito para carros sem pneus slick. Se considerarmos que não era turbo, funcionava a gasolina e com o motor original, então o feito parece ainda mais impossível. Mas é tudo verdade.


...e novos desafiantes surgiam a todo o momento, como esse Gol de um piloto de arrancada local, mais conhecido por andar na FLTT e Turbo A.

Nas pistas T.O. Castro e seu Civic VTI de número 07 ganharam muitas puxadas e também foram os mais rápidos do dia muitas vezes. A concorrência sempre chegava perto, superando as melhores marcas antigas do carro, obrigando-nos a sempre evoluir.

Mas foi em 2006 que aprendemos que a arrancada é um esporte que não se disputa só nas pistas. O que acontecia nas oficinas e nas garagens era tão ou mais importante do que o dia da corrida em si. Era preciso pensar, trabalhar, modificar e criar soluções para fazer o carro não perder o domínio da competição e os adversários estavam muito melhor equipados! E quebrar também não estava nos nossos planos...

Enquanto estávamos na oficina quebrando a cabeça e as costas para tentar extrair cada pingo de performance que o carro poderia dar, os adversários perdiam o tempo e o foco acelerando na rua. Assim, foi rapidamente que esses adversários ficaram para trás e logo começaram a surgir turbos forjados, carros 4x4, V8 e toda a sorte de outros oponentes tecnicamente mais fortes. Foi realmente uma época muito empolgante.



Civic 07 contra o Maverick turbo de Jean Carlo: Polêmica no Youtube. Hoje Jean vira na casa dos 7 segundos nos 201 metros com o carro pela Associação Desafio.

Finalmente, quando o ano estava quase acabando, a concorrência veio realmente forte. O Civic conseguiu o tempo de 8,4 nos 201 metros do sambódromo, mas não foi suficiente. Três carros 4x4 entraram na disputa: Um Lancer Evolution preparado, uma Audi S2 modificada e um Eclipse GSX. O Civic ainda brigou bem, mas no final do dia ficou atrás da Audi e do Eclipse. Ainda que não tenha sido um grande consolo, ao menos a vitória se manteve na nossa equipe, com grande emoção no final, mas essa história fica para uma outra vez...

O importante é que apesar de não ter existido um campeonato da AD em 2006, podemos considerar que T.O. Castro foi nosso "Campeão Honorário" pilotando o Civic 07. Naquele ano os dois dominaram totalmente as provas e até hoje o Civic ainda é um ícone da Associação e suas marcas, até bem pouco tempo ainda estavam em nível de competir pela ponta, apesar dos anos parado.

Se você quiser ter uma idéia de como eram os dias em 2006, assista o vídeo abaixo:


Um pouco do dia a dia na oficina entre uma prova e outra.

domingo, 10 de maio de 2009

Ele é Desafio!

Muito se fala hoje em dia em "Eu sou Desafio", em todos os lugares do país. Mas justamente pelo fato do grupo estar cada vez mais espalhado por todo o Brasil, muitos pilotos não tem a chance de participar das provas no Velopark, por uma simples questão geográfica.

Mas entrar para o grupo da AD não significa necessariamente que você tenha que participar das provas do campeonato da AD, ou do TOP16. A AD é um movimento cultural que vem mudando a cara da arrancada através da mudança de mentalidade de seus membros. Ser AD significa compartilhar algumas idéias e conceitos diferentes dos tradicionais. Ser Desafio é fazer parte de um grupo que tem uma visão alternativa do futuro da arrancada.

Por isso, hoje trago uma postagem que é um relato de um cara chamado Flavio Vigna, que apesar de ser um membro do grupo, reside na região da fronteira do RS com a Argentina, o que traz algumas dificuldades para que ele participe de todas as provas da AD com seu Honda CRX nitro.

Flavinho resolveu participar de uma prova de arrancada em São Luiz Gonzaga, organizada pelo tradicional sistema de categorias. Seu objetivo era levar para a pista a rivalidade que existia entre ele e alguns amigos, mas apesar da paridade entre os carros, o sistema de categorias impediu-os de arrancarem juntos.

O texto, além da aventura de Flavinho, traz uma surpresa interessante no final. Confiram!

As aventuras de Flavinho e seu CRX:

Na véspera de natal fui avisado por um conhecido que em São Luiz Gonzaga, ciadade vizinha à minha São Borja seria inaugurado o asfaltamento de uma pista de arrancada, 201m (por aqui quase só tem arrancadão na terra, veloterra de motos etc). Procurei informações e descobri que teria cronometragem oficial do Jaime Kopp. Marcada para o domingo entre o natal e o ano novo, a notícia mecheu com todo mundo que é envolvido com carros por aqui. No sabado à noite fui "intimado" por dois concorrentes fortes, um tem um Audi S3 e outro uma Silverado que não é brincadeira (o pessoal da Sprint já me ouviu falar muito dela...) E eu nem sabia se poderia correr, afinal tenho passado por incontáveis problemas com meu carro.

Já estava conformado que não ia participar porém acordei involuntáriamente pelas 10 da manhã de domingo e perdi o sono, mesmo numa mega ressaca. Respirei fundo e liguei pro pessoal da organização, afinal não sabia valores muito menos "em que categoria meu carro se enquadrava". Recebi como resposta um "vem pra cá que a gente dá um jeito" e um aviso que os treinos encerravam ao meio dia. Nesso momento, já agitado, tomei um banho rápido e fui arrumar o que precisava no carro (óleo, nitro, ferramentas, pneu e roda reserva...) Sendo 100km de distância, calculava coisa de uma hora de viagem, porêm tive que parar várias vezes até descobrir que uma porca de roda TRASEIRA estava solta (incrível, já não bastava o problema dos cubos dianteiros).

Chegando na pista, consigo ver outra silverado virando 10,5 num treino enquanto me inscrevia. Pensei comigo "se eu tenho um 10,5 em SCS e 10,3 no Velopark sem nitro, vai ser tranquilo por aqui." Segue o vídeo da silverado treinando:



Subo para a pista, arrumo um capacete emprestado e faço a minha passada de treino sem nitro para ter referência. Durante a arrancada, ainda de pneus cheios, descubro que a pista é em subida, e o trecho de frenagem, curtíssimo, em descida. Na volta descubro que fiz um péssimo 10,9, com 60 pés de 2,7. E comecei a ficar com medo de tomar ferro das Diesel, afinal meu pior 60 pés até então não entrava na casa de 2,6.

Fui inscrito na categoria Forca Livre, não pude participar da Desafio Turbo "porquê o carro é nitro e não turbo", ou seja, o pega com o S3 não aconteceria, só teria os tempos para comparar e carros bem mais fortes para alinhar comigo. Enquanto iam passando as categorias, descobri que só daqui da minha cidade tinham três Silverado inscritas, uma S10 além do Audi e de mim. E muita gente daqui assistindo que também poderia participar. Entre os treinos e o evento vem a chuva... Decepcão geral, mas como era verão resolvemos aguardar, e em pouco tempo o céu abriu denovo. E então vem o show das camionetes enchendo a galera de fumaça enquanto percorrem a pista para secar:


Pista seca, arrancadas começam e logo vem a categoria Desafio Turbo e finalmente tenho oportunidade de ver o S3 em ação; tempos variando de 10,2 a 9,8:



Depois vem a categoria Diesel, a mais emocionante, com todas as Silverado virando entre 10,4 e 10,7 constantemente:





O tempo ia passando e meu estado de nervos aumentava e só no final do dia veio o chamado para a categoria Força Livre alinhar. Depois da decepção no treino sabia que só com nitro poderia igualar o resto do pessoal, então montei a garrafa, testei os solenóides que estavam há um bom tempo parados e fechei com a giclagem pra 50cv. Afinal não tinha mais velas frias depois do fiasco em santa cruz do sul, onde queimei uma vela de iridium no nervosismo de arrancar com o nitro. Esperando o burnout abro a garrafa, ligo a chave geral e quando estou me colocando no alinhamento ainda tenho tempo de ouvir o locutor gritar "o Honda não é bobo hein" antes de fechar os vidros. Na volta da primeira passada vejo o pessoal me fazendo o sinal de positivo. Ouço de um amigo que com o tempo feito nem deveria passar denovo, mas eu ainda não tava satisfeito... Na segunda passada não consegui melhorar o tempo, mas fiz minha melhor reação até hoje. Fiz um vídeo da minha participação:



No final do dia todo mundo surpreso com a minha reação mesmo após terem ouvido várias vezes sobre o "se vires o verde, já era" que o pomada usava de assinatura. Alguém me disse ter certeza que eu tinha queimado aquela largada. E eu feliz por saber que tinha feito um tempo quase igual ao Audi, mesmo com 60 pés de 0,3 segundos pior.

Um tempo depois, outro conhecido que estava viajando no final do ano me perguntou do arrancadão e pediu que avisasse ele no próximo, ele queria participar. O carro? BMW 335i. Final de março teria outro evento, e então fomos a São Luiz denovo. Na estrada expliquei pra ele o alinhamento, o pinheirinho... O evento começa e vendo aqueles golzinhos "gaiola" arrancando forte ele começa a ficar nervoso e roer unhas. Aplicando aquela regra dos 53% nos tempos que achei na internet eu achava que o carro poderia virar entre 8,5 e 9, mas a pista poderia comer um bom tempo como no meu caso.

Quando ele é chamado, não acerta a largada no pinheirinho de tão nervoso, os tempos ficam entre 10,2, 9,7 e 9,3... O câmbio era a grande dificuldade segundo ele, que se levantasse demais o giro o carro comecava a andar mesmo segurando no freio. O dono do S3 já havia me dito que não podia sair de giro cheio que o controle de tração cortava tudo e não vinha tempo bom. O dono da BM já tava satisfeito com o 9,3, queria deixar por isso mesmo quando foi chamado mais uma vez. Incentivamos ele a ir denovo e na volta a surpresa; 8,9. No final da reta passava a constantes 132 km/h, mais forte que a maioria dos carros do evento.

Mas o melhor ainda estava por vir. O dono do carro mais forte do evento, um fusquinha daqueles força livre também tem um Nissan 350Z. Na minha primeira participação já tinha tido contato com ele, me perguntou sobre meu carro e até me emprestou o capacete. Fomos falar com ele e provocar um desafio. Ele hesitou um pouco mas aceitou, então procurei o dono da BM, que ainda me perguntou o que eu achava. Me disseram que o 350z tem 286cv, a BMW tem 306, então respondi que achava que ganharia quem tivesse uma reação melhor. Após um momento em silêncio, também aceitou e fomos falar com a organização da prova. Nem preciso contar que a galera, que já estava indo embora voltou correndo e foi à loucura com a brincadeira que inventamos. No vídeo acabei cortando a narração dos tempos... BMW 335i 9,3s e Nissan 350Z 9,7s:






Flavinho só pôde tirar a teima com seus verdadeiros adversários através da comparação de tempos, o que tira um bom tanto da graça da brincadeira. E o pior, foi obrigado a correr contra carros muito mais potentes em uma categoria de força livre, apenas porque seu carro utilizava nitro, o que é um padrão no mínimo estapafúrdio, visto que o nitro é a preparação mais básica que existe.

Entretanto, graças à participação dele, no final houve uma disputa muito legal entre carros diferentes e rápidos, um turbo e outro aspirado, que ao chamarem o público de volta para a pista e deram-lhe uma idéia do que é a filosofia DESAFIO de fazer a arrancada entre carros diferentes, mas com resultados similares.

Parabéns Flavinho! Continue assim levando o nome da AD adiante em sua região, mas não esqueça de participar também algumas provas aqui conosco no Velopark!

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