"As arrancadas surgiram meio que automático pra mim. Quando ainda tinha o
Dodge Magnum, o Diego Zottis ficava botando pilha pra gente fazer um
brincadeira do Dodge VS Camaro. Pronto, da pra se dizer que depois da
primeira arrancada fui contaminado pelo espírito “Drag Racer”. Depois
disso comprei o Charger R/T e fui comprando as peças de performance aos
poucos. Muitos amigos brincavam comigo dizendo que eu tinha o Armário
mais rápido de Gravataí."
Saiba tudo sobre o Charger preto de Diego Jones dos Reis que se classificou com o terceiro melhor tempo no TOP16 da ND6 e é um dos líderes do CAD5.
Placa preta? Porque eu acho que ela não vale nada!
Por Rodrigo "Pivas" Pulita
"Não me leve a mal antigomobilista com sua placa escrita em letras brancas e fundo preto, admiro em si sua boa vontade em ir atrás deste tão sonhado (para alguns!!!) troféu da originalidade.
Não sei se é porque ando com meu dodge da mesma forma que se ele fosse um carro comum? Talvez... vezes pela chuva, alguma estrada de chão, outra até com buracos, as vezes sujo, as vezes reluzente... enfim, meu carro não é digno da tal placa preta, e ele não quer mesmo. Ele quer a liberdade de poder ser diferente, customizado, a cara do dono, sabem como é, talvez os Darts originais tenham pneus muito finos e motores relativamente fracos... claro, bunda e opinião cada um tem a sua! Admiro muito carros com placa preta, não me levem a mal mesmo, adoraria um adorno destes em minha garagem, mas fica a pergunta, teria eu vontade de sair com um carro perfeito, lindissimo, impecabilissimo???
A placa preta acaba por exigir isso, um dono que mantenha todas as caracteristicas originais, andando com pneus diagonais muitas vezes, não podendo ter um motor muito diferente, mesma altura do original, tons de cor de acordo, bancos impecáveis e originais, radio que pega a estação CHIO DO MOTOR em OM (este o dodge tem, liga o radio, acelera e ouve o motor com um XXXXxxxXXXxxxxXxxXxxx!)."
E leia também mais sobre "carro, motor, cerveja, rock n roll e mulher, tudo pensando em nostalgias do passado e comentários sobre o atual" no Blog Pivístico
Pivas acelerando forte na ND2 de slicks e nitro no seu carro de uso: Totalmente outlaw.
E após muita briga nas ND4 e 5, Alexandre Kroeff consegue levar seu Maverick aspirado ao título do campeonato da AD. A briga foi boa com Gustavo Stock e seu 147 destruidor de gigantes, mas ao levar duas bonificações de classe de tempo, uma na sexta e uma no sábado o Maverick Golias não quis cair perante o 147 Davi.
Sérgio Fontes levou seu Gol 96 à uma incrível arrancada nos pontos, conseguindo buscar a terceira posição.
Em quarto lugar ficou o estreante na AD Alex Machado com seu Chevette Hatch. Machado chegou a liderar o campeonato após a segunda etapa, mas caiu para quarto após a terceira e ao final da contagem de pontos permaneceu nesta posição. Vale lembrar que é uma grande colocação para um estreante.
Em quinto ficou Roger Condotta com seu Passat aspirado, em sexto o Eclipse de Rafael Andreis e Diego Zottis que até a sexta feira acordou líder do campeonato foi empurrado para a sétima posição ao término da rodada dupla.
Esse foi o maior campeonato da AD de todos os tempos, contando com 341 inscritos e com uma média de público de cerca de 4 mil pagantes por prova.
Os campeões anteriroes foram Sérgio Fontes (2007), Felipe Hil (2008), Sérgio Fontes (2009) e agora junta-se a essa seleta galeria o nome de Alexandre Kroeff, pela conquista de 2010. Vale lembrar que Kroeff é o primeiro piloto a vencer a competição com um carro aspirado.
Ficam os parabéns aos pilotos mais bem colocados, pois o campeonato da AD é uma competição difícil que requer não somente um carro rápido, mas também estratégia, constância e habilidade de pilotagem.
Em meados de 2006, surgiu pela primeira vez a idéia de uma associação de pilotos amadores de arrancada. Mas diferentemente da maioria das associações de pilotos de automobilismo que sempre estão atrás de modificações nos regulamentos, o que esses amadores queriam era simplesmente correr na pista, da mesma forma que corriam na rua.
Essa simplicidade de propósito no entanto, ocultava coisas muito maiores. Naquela época não se sabia, mas esse grupo estava resgatando o espírito do esporte: Competição lado a lado, ou heads up, como dizem os inventores do esporte. Tudo o que queríamos era competir uns com os outros, nas velhas regras da rua.
Dentro de pouco tempo o Complexo Cultural do Porto Seco - o famoso sambódromo - estava lotado de carros e pessoas para assistirem as disputas. Naquele momento foi iniciado um grande movimento por parte dos preparadores, das pessoas que gostavam de acelerar e até das que assitiam, em prol de uma arrancada de carros de rua dentro da pista.
O clima fervia! A cada prova os tempos baixavam mais e nas semanas que corriam entre as competições ficava-se sabendo que várias pessoas estavam preparando "surpresas". Ouvia-se de tudo, desde aqueles que respeitavam os carros que estavam andando na frente, até alguns mais confiantes, que achavam que bastava se inscreverem para terem a vitória no bolso, tamanha a suposta superioridade de seus carros. Mas como em todo bom esporte, quanto maior o salto alto, maior era o tombo!
Para nós especialmente, foi uma grande época. Competíamos com o que tínhamos e inventávamos novas soluções a cada prova, sempre baixando o tempo. Cada vez que o carro ia para a pista, era uma grande expectativa para saber se o motor iria sobreviver. Começava já pelo burnout: Quem já viu um VTI fazendo o rolo pode achar que tem uma idéia do que eu estou falando, mas o Civic 07 era bem diferente. Quando alinhava para esquentar pneus, com seu cano de escape reto, nitrando a quase 9000 rpm, a arquibancada inteira quase ficava surda.
A cada prova usávamos mais nitro e o barulho do motor ficava cada vez mais alto. Me lembro de ficar na arquibancada superior, ouvir o motor do Civic e pensar: "Agora vai botar tudo para fora"... Fazíamos o possível para isso não acontecer, mas há muito tempo o nível de potência do carro já tinha passado do razoável para um motor completamente original.
Os antigos adversários da rua foram ficando para trás...
E até hoje o melhor tempo do Civic no sambódromo ainda é uma marca de respeito para carros sem pneus slick. Se considerarmos que não era turbo, funcionava a gasolina e com o motor original, então o feito parece ainda mais impossível. Mas é tudo verdade.
...e novos desafiantes surgiam a todo o momento, como esse Gol de um piloto de arrancada local, mais conhecido por andar na FLTT e Turbo A.
Nas pistas T.O. Castro e seu Civic VTI de número 07 ganharam muitas puxadas e também foram os mais rápidos do dia muitas vezes. A concorrência sempre chegava perto, superando as melhores marcas antigas do carro, obrigando-nos a sempre evoluir.
Mas foi em 2006 que aprendemos que a arrancada é um esporte que não se disputa só nas pistas. O que acontecia nas oficinas e nas garagens era tão ou mais importante do que o dia da corrida em si. Era preciso pensar, trabalhar, modificar e criar soluções para fazer o carro não perder o domínio da competição e os adversários estavam muito melhor equipados! E quebrar também não estava nos nossos planos...
Enquanto estávamos na oficina quebrando a cabeça e as costas para tentar extrair cada pingo de performance que o carro poderia dar, os adversários perdiam o tempo e o foco acelerando na rua. Assim, foi rapidamente que esses adversários ficaram para trás e logo começaram a surgir turbos forjados, carros 4x4, V8 e toda a sorte de outros oponentes tecnicamente mais fortes. Foi realmente uma época muito empolgante.
Civic 07 contra o Maverick turbo de Jean Carlo: Polêmica no Youtube. Hoje Jean vira na casa dos 7 segundos nos 201 metros com o carro pela Associação Desafio.
Finalmente, quando o ano estava quase acabando, a concorrência veio realmente forte. O Civic conseguiu o tempo de 8,4 nos 201 metros do sambódromo, mas não foi suficiente. Três carros 4x4 entraram na disputa: Um Lancer Evolution preparado, uma Audi S2 modificada e um Eclipse GSX. O Civic ainda brigou bem, mas no final do dia ficou atrás da Audi e do Eclipse. Ainda que não tenha sido um grande consolo, ao menos a vitória se manteve na nossa equipe, com grande emoção no final, mas essa história fica para uma outra vez...
O importante é que apesar de não ter existido um campeonato da AD em 2006, podemos considerar que T.O. Castro foi nosso "Campeão Honorário" pilotando o Civic 07. Naquele ano os dois dominaram totalmente as provas e até hoje o Civic ainda é um ícone da Associação e suas marcas, até bem pouco tempo ainda estavam em nível de competir pela ponta, apesar dos anos parado.
Se você quiser ter uma idéia de como eram os dias em 2006, assista o vídeo abaixo:
Um pouco do dia a dia na oficina entre uma prova e outra.