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domingo, 2 de outubro de 2011

Vitórias no TOP16

1 - 20/12/2008 - Sérgio Fontes, Gol 96. Open Day Velopark


2 - 21/03/2009 - Deme Coradi, Corsa 21. Open Day Velopark


3 - 25/04/2009 - Rafael Andreis, Eclipse 221. Open Day Velopark

 
4 - 06/06/2009 - Sergio Fontes Gol 96. Open Day, Velopark


5 - 29/10/2009 - Rafael "RaFASTra" Pires, Astra 888. Open Day, Velopark


6 - 29/11/2009 - Rafael Andreis, Eclipse 221. Street Rules Day 2, Guaporé


7 - 10/12/2009 - Fabiano Krentz, Astra 987. Open Day, Velopark.


8 - 02/06/2010 - Sergio Fontes, Gol 96. ND1, Tarumã


9 - 20/08/2010 - Paulo Rebelo, Chevette 188. ND2, Tarumã.


10 - 22/10/2010 - Marcio "CPEL" Freitas, Fusca 92. ND3, Tarumã


11 - 17 e 18/12/2010 - Rafael Andreis, Eclipse 221. ND4/5, Tarumã


12 - 08/04/2011 - Braulio Rocha, Fusca 33 / Daniel Machado, Chevette 28. ND6, Tarumã


13 - 22/07/2011 - Daniel Moresco, Fusca 81. ND7, Tarumã


14 - 25/09/2011 - Valdenir de Borba, Chevette 197. ND8, Tarumã.



quarta-feira, 20 de julho de 2011

Não se provaleça com os pequenos...

Gustavo Stock e o 147 em ação na reta de Tarumã

Que tal correr contra um carrinho antigo com motor 1.5 Fiasa, miolo todo original, turbo T2 e que além de tudo tem a boca da borboleta do tamanho de uma moeda de 1 pila?

Tá no papo...

Quer moleza? Tome sopa de lesma!

Apesar de correr com um carro com mecanica bastante simples, Gustavo Stock é vice campeão do CAD 4, já foi runner up do TOP16 no Velopark além de ter se classificado para todos os TOP16 das Noites do Desafio de que participou em Tarumã. Para concluir, o pequeno notável é um dos tração dianteira mais rápidos da AD nos 201 daquela pista, na casa dos 7,9, além de já ter virado 12,1 nos 402m do Velopark.

Os segredos do "Davi", ou melhor, segundo a revista Race Master na qual foi publicada uma matéria do carrinho, os segredos desse "Royce Gracie" das pistas de arrancada são o baixo peso, a potência com uma curva de torque bem plana e os eficientes drag slicks da marca Black. Essa preparação vem provando na prática que respeito aos fundamentos rende mais dividendos que preparações pesadas, que geram mais potência mas não visam ao equilíbrio do carro como um todo.

Dessa forma o pequeno tem conseguido surrar adversários que declaram ter quase o triplo da potência. 

E você, tem um tração dianteira e acha que pode com ele em Tarumã?

Como diz o piloto da "piccola macchina": -"Então traz que eu asso!"

terça-feira, 19 de julho de 2011

Um Kadett com muita vontade

Kadett de Roberto Ramos, por JC Racing

Roberto Ramos da equipe Litoral Turbos está há muito tempo esperando a chance de conseguir correr com seu carro numa disputa da Noite do Desafio. Não que ele seja novato, pois já participou de diversas provas. Contudo, sempre com seu Palio 1.8R, que inclusive tem obtido tempos muito bons para a classe de carros a que pertence. Entretanto o que Ramos quer mesmo é disputar na ponta e para isso ele possui um Kadett 2.0 16v turbo, que parece estar em plena forma para a ND7. O carro vem correndo nos Rachas em Tarumã e também no Velopark e tem mostrado um rendimento bom e parece ter a solidez necessária para encarar uma ND.

O Kadett de Ramos já mostrou que pode andar na casa dos 8 segundos ou menos uma vez que acelera de slicks tipo drag na medida 24" 1/2 , o que tem o potencial de lhe render participação no TOP16 e de quebra ficar entre os mais rápidos carros de tração dianteira do evento, como o Gol 96 de Sérgio Fontes e o Fiat 147 de Gustavo Stock.

Falar pra mim é fácil, mas uma coisa eu garanto: Roberto vem com muita vontade!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

ND7: Maverick turbo


Em 2009 Ford Maverick V8 de Jean Carlo Peluso era uma presença constante nas provas da AD, inclusive no TOP16. O carro era muito querido, pois além de ser um belo exemplar da cobiçada versão GT, tinha um veneno que apesar de bastante racional e eficaz, era também relativamente incomum para esse tipo de carro: Tratava-se de um turbo injetado com miolo original. Se a maioria dos veoteiros já torce o nariz para motores preparados que rodam à álcool e uma das primeiras coisas que fazem é mudar quase tudo que tem dentro do motor, no caso de Jean era tudo ao contrário.

Mas independentemente de filosofias, o carro era bem rápido e apesar do peso alto seu ponto forte era a saída, em parte graças aos sempre incríveis pneus Hoosier de 10 polegadas de largura. Tá aí uma aposta que não tem erro...

Assim, com um veneno diferente, não muito complicado e bastante eficiente, Jean chegou a andar na casa dos 7 segundos nos 201 metros e dos 11 segundos altos nos 402 metros da pista do Velopark. No SRD II em Guaporé - pista que não tem a mesma condição do gigante de Nova Santa Rita -  era um dos favoritos no TOP16, pois 201 metros era o forte do carro. Infelizmente o dinossauro estava tão bom nas parciais de baixa que o diferencial não deu conta do recado e o Maverick que subiu a serra rodando teve que voltar na plataforma.

Muitas pessoas acreditam que o Maverick seria um concorrente forte nos TOP16 das Noites do Desafio em Tarumã, pois assim como em Guaporé a pista tem apenas 201 metros, porém, além da condição de grip inferior a largada é um leve aclive e o final um leve declive, o que favorece carros  de tração traseira.  O segredo da vitória lá é dosar a força e manter a tração até onde desce, pois daí em diante todo santo ajuda.

A boa surpresa é que Jean e o GT ouro estão inscritos para a ND7 e agora o que não deve faltar é potência, já que o carro passou uma temporada na oficina e o motor não é mais o 302 original da Ford que mal atinge as 5 mil RPM.

Desde já tenho um palpite positivo para este carro, mas sobretudo, será bom vê-lo novamente na pista!

domingo, 28 de novembro de 2010

Reciclando...


A arrancada evoluiu em muitos aspectos nos últimos dois anos, mas ainda há um longo caminho pela frente até que ela possa ser considerada um verdadeiro esporte. Existem muitas definições para a palavra, mas todas elas sempre trazem a mesma essência:

"Esporte é uma atividade sujeita a regulamentos predeterminados que visa a competição entre os praticantes, envolvendo sempre a capacidade física, motora ou de concentração e destreza, que tem em vista uma melhora física e espiritual do SER HUMANO".

Em resumo: O esporte é uma atividade que promove o aperfeiçoamento humano através da competição entre adversários opostos.

E a arrancada atual tem muito pouco desses valores, quase que exclusivamente valorizando o recorde ao invés da vitória, tirando da equação o fator competitividade que era dado pela disputa entre os dois pilotos.

Ao valorizar somente a melhor performance, podendo ser descartados todos os erros, só resta em julgamento a qualidade do equipamento, que em última instância é resumida por um simples e desigual fator: O dinheiro investido.

E essa é a definição de anti-esporte.

Por isso, trago novamente dois textos velhos do blog, que seguem mais atuais do que nunca:

A Cultura do Recorde


Na arrancada brasileira vige a cultura do recorde. Das conversas de oficina ao próprio sistema de competições sem enfrentamento direto e decisivo, todos caminhos levam à essa mentalidade.

Mas o que é a cultura do recorde e como ela afeta o esporte?

Como essa maneira de pensar tomou conta da arrancada é uma questão difícil de decidir, porém essa complexidade não vem ao caso. Não importa se primeiro veio o receio de certos pilotos de correrem lado a lado, o formato encontrado para reduzir o número de puxadas a fim de acomodar um enorme número de categorias em um período relativamente curto de competição ou a possibilidade de valorizar uma puxada rápida de um carro sozinho, já que a falta de quórum é um dos principais problemas de algumas categorias.

O fato é, que arrancada sem confronto decisivo confunde e desmobiliza o público mais leigo e a transforma num esporte de segmento, reduzindo sua abrangência e tolhendo seu potencial para crescer. Aquele cara que está na arquibancada porque resolveu conhecer o espetáculo da arrancada, mas não é amigo ou familiar de piloto, NÃO SABE NADA SOBRE AS REGRAS. Muito menos sabe o que significam todas aquelas letrinhas que servem para denominar as categorias. Não compreende sequer porque um carro com tração traseira tem vantagem sobre um carro de tração dianteira, ou a disparidade entre um motor turbo e um aspirado.

Eu sei, para vocês aficionados é difícil até imaginar que exista tal pessoa. Mas é fácil pensar assim quando se está acostumado com todas as idéias e conceitos tradicionais da arrancada do Brasil, pois a paixão pela essência do esporte para nós vence tudo isso. Mas na verdade, para encher uma arquibancada de 20, 30 mil lugares com a frequência das provas de uma temporada e para tornar o esporte viável comercialmente, é preciso que o esporte acesse justamente essas pessoas. A única forma de alguns leitores compreenderem o que eu quero dizer, é propondo aquele velho exercício de colocar-se no lugar do outro. E para isso temos que abandonar a arrancada por um segundo, pois ela é território conhecido de todos nós.

Imagine então que você foi transportado para um outro lugar. Está em um estádio diferente, que não é de futebol ou futebol americano. Os jogadores impecavelmente uniformizados arremessam e rebatem uma pequena bola de couro e madeira, mas o jogo também não é baseball. Nas arquibancadas de um estádio moderno e com boa infra estrutura você percebe não só uma grande multidão de fãs, mas também um carro 0km exposto em destaque, como prêmio máximo de alguma promoção para os espectadores que estão no local.
Vê as câmeras de TV e os repórteres fazendo a cobertura ao vivo. Escuta os seus colegas de arquibancada comentarem sobre a paixão nacional por esse esporte e rivalidade com o país vizinho. Ouve sobre o salário altíssimo dos atletas e que os direitos de televisionamento das partidas foram negociados por uma cifra na casa dos milhões de dólares.
Você está no Paquistão, vendo uma partida da seleção de Críquete contra a Índia.

Partida de críquete profissional na Ásia.
Você pode ver a empolgação dos torcedores, a concentração dos atletas e toda a infraestrutura, porém nada disso lhe importa no momento, pois o jogo é totalmente incompreensível para você! Para que passe a efetivamente gostar da disputa, é preciso que você compreenda algumas pequenas coisas como os objetivos do jogo, suas regras e aqueles detalhes que fazem a tradição de cada esporte, independentemente da importância que o jogo tenha para as pessoas que lá estão.

A arrancada deveria ser o esporte mais simples de todos, afinal são dois carros e uma reta. Quem chegar primeiro ganha. Mas não é assim que um possível futuro fã vê a corrida das arquibancadas.
Algumas provas são organizadas em dois dias, porém a grande maioria das pessoas vai assistir somente no domingo. E é possível que esse fã que ainda não conquistamos, veja 3 arrancadas da categoria STTD-C, nas quais "o Gol vermellho ganhou todas do Gol branquinho" e assim mesmo, graças a uma puxada ocorrida no sábado quando ele nem estava lá, quem sobe no degrau mais alto do pódio é o piloto do Gol branco.

Mas é mais complicado que isso ainda, pois dificilmente esses dois carros alinham sempre juntos. O que de fato ocorre é que o coitado do espectador vai ver o Golzinho vermelho que ele gostou arrancar contra um Gol prateado, um amarelo e um todo colorido. O "vermelhinho" pode ganhar uma, perder duas e ainda assim sagrar-se campeão.

De fato, não dá para entender como funciona a prova. E somente após MUITA explicação de alguém paciente e que ENTENDE BEM do esporte, o nosso espectador já desgastado de tanto palavrório vai compreender finalmente que não existe relação entre ganhar uma ou mesmo a maioria das puxadas e vencer a prova. Vai então decepcionado concluir que tanto faria se cada carro corresse sozinho, que o oponente ao seu lado faz apenas figuração e que só o que vale é o tempo da puxada.

O dia acaba, nosso quase-futuro-fã vai para casa e não pensa mais no assunto. No mês que vem ele vai estar novamente na arquibancada, porém todo fardado igual às outras 50 000 pessoas que lhe rodeiam, gritando: "GOOOOOOL!" Feliz como "um pinto no lixo", unido a uma equipe e comemorando a simplicidade do futebol que lhe invade a vida através do radio, televisão, jornal, internet e principalmente dos amigos e colegas que na segunda feira ele vai flautear ou deles fugir, dependendo do resultado do jogo do final de semana. 

A compreensão do futebol para ele se traduz em coisas simples, como a "sua equipe", que é a torcida ao seu lado, com o inconfundível uniforme do time e suas cores. A "equipe adversária", que são todas as pessoas que vestem o uniforme de outra cor. O placar, no qual o vencedor é aquele que ao final do jogo obtiver o escore mais alto. E o gol... Cada gol é uma injeção de um coquetel incrível de adrenalina, felicidade, satisfação e êxtase, comungada por milhares de pessoas no mesmo instante.

Para um humilde cidadão que busca entretenimento, pouco importa o recorde. Tudo o que ele enxerga é um carro andando sozinho numa pista. Não há disputa, não há emoção e não há drama. Ele não sabe e nem tem como saber todos os sacrifícios que aquele piloto ou preparador passou para chegar nesse tempo. Só percebe que o produto que lhe foi vendido na bilheteria não proporciona o divertimento imaginado. A importância cultural do recorde tem de ser suplantada pela importância real da VITÓRIA. Mesmo na F1, não importa quem estabelece o recorde de volta ou a volta mais rápida da corrida e sim quem chega na frente ao término de todas as voltas.

Essa cultura de recorde tem de ser urgentemente substituída por algo mais moderno, mais dinâmico e mais acessível ao grande público. Para atraí-lo, os organizadores da arrancada tem duas opções: Ou fazem uma competição estruturada como um torneio, com "pé e cabeça", com começo meio e fim, com ritmo e um cronograma aceitável para quem está sentado no concreto duro, ou então partem para as atrações circenses como os shows de manobras radicais, puxadas de demonstração de carros à jato e coisas do gênero.

Contudo, desconheço alguém que vá ao circo duas vezes em um só ano, ao menos por vontade própria... Imagine então lotar as arquibancadas em uma temporada inteira!

Por quê uma dragway tem duas pistas:


Que a arrancada é um esporte em ascensão ninguém duvida. Todo ano são inauguradas novas pistas, surgem novos carros e recordes são quebrados. É de fato também um esporte em evolução. Porém os novos tempos trazem também novos desafios e talvez uma reavaliação dos papéis de cada um.

Arrancada é para quem? Para quem são organizadas as provas? Tendo quem em mente são criados os regulamentos, as categorias, a própria estrutura da prova? Durante muito tempo essa pergunta foi fácil de responder: Para os pilotos, é lógico. E não só para eles, mas também por eles. Os organizadores de provas geralmente eram pilotos ou apaixonados que faziam tudo acontecer, às vezes mais em função de seu amor pelo esporte do que pelo próprio retorno financeiro.
Mas não estamos mais no tempo dos “km de arrancada”, onde pistas eram ajeitadas em qualquer estrada ou rua de cidade do interior. O esporte cresceu e as grandes provas são organizadas em autódromos ou dragways com estruturas, que tem um custo bem mais alto para operar. Pistas como o Velopark não podem mais se dar ao luxo de fazer uma prova e contarem apenas com a inscrição dos pilotos como retorno financeiro. Isso mal paga uma fração dos custos da prova.

Na arrancada dos dias de hoje os papeis se inverteram: O público que antes era um convidado até dispensável e ficava se acotovelando para poder arrastar a barriga em cordões de isolamento hoje é a figura central do negócio, principal objetivo dos organizadores. E os pilotos, que antes ocupavam essa posição foram alçados a um papel diferente: Eles são as estrelas do espetáculo. Contudo, para merecer esse novo e muito mais alto status, precisam conquistar o público. É uma nova obrigação que vem com esse papel e querendo ou não, ao participarem de provas com mais de dez mil presentes e pagantes, eles tornam-se figuras públicas.
Mas vivemos uma fase de transição e muitas pessoas nesse ramo estão com a mentalidade cristalizada em um passado que não volta mais. Querem gozar de seu novo status, mas não compreendem seu novo papel e as novas responsabilidades que surgem com ele. Reclamam da falta de patrocinadores para o esporte, mas não compreendem a relação que existe entre o público e o retorno do investimento. Tentam forçar os organizadores a fazerem uma prova voltada para os pilotos, desprezando a importância do público e o retorno do organizador, consequentemente sabotando o esporte de dentro para fora.
Um dos aspectos que mais atrai o público é o aspecto humano do esporte. Valores como coragem, garra, agressividade, determinação, talento, atitude... O esporte comercial não é nada mais e nem nada menos que um grande palco onde os pilotos são os atores, vivendo na carne seus papéis na história da vida real. Cada piloto através de sua trajetória e suas atitudes agrega para si um conjunto de valores com os quais uns ou outros espectadores se identificam, sendo isso muito mais importante para eles do que os pormenores técnicos do carro ou da categoria. Ao final do dia, a vitória ou derrota é pessoal e não do carro. Tudo é pessoal.

E se um piloto tem ou deseja ter um grande nome escrito na lateral de seu carro, pagando para ele competir, ele precisa ter a consciência de que deve isso a esses mesmos espectadores que criam o interesse no patrocinador em investir dinheiro nele. Por isso a relação do piloto com o público através da imprensa, grande ou pequena, vale ouro e merece toda a atenção. É por isso também que a lenda da NASCAR Richard Petty ficava após as corridas em uma pequena mesa, dando autógrafos até o último fã. Cada vez mais nesse esporte o fã é o pilar central que mantém a estrutura de pé.

Muitos pilotos atuais têm um grande medo da disputa direta, sentem verdadeiro pânico de que os bastidores apareçam ao público e fazem qualquer coisa por debaixo dos panos para que fique uma imagem, mesmo que completamente falsa, de que todos se dão bem e que nunca houve e nem haverá uma rivalidade. Isso me obriga a buscar em outro esporte uma analogia para demonstrar o quanto essa situação é descabida: Imagine um lutador de boxe, procurando a mídia e dizendo aos repórteres que seu adversário é na verdade um grande amigo e que ele luta boxe por amizade, nutrindo carinho e amor fraternos por todos os seus oponentes...

A arrancada é um duelo, uma medição de forças, de marcas, de competências e de filosofias. Foi assim que ela nasceu nas ruas e desertos de sal dos Estados Unidos, entre desafios, bravatas, afrontas e provocações. Motivada pelos mesmos sentimentos que dão origem às disputas humanas em qualquer plano. Não se arranca por amizade, não se deseja deixar o adversário para trás em frente a trinta mil pessoas por consideração a ele, do mesmo modo que um lutador de cem quilos não dá um soco na cabeça do oponente com toda a sua força por especial afeto fraterno. Essas são as emoções humanas e seu valor não está em serem politicamente corretas. Está em serem verdadeiras.

Talvez seja tempo de aceitar as coisas como elas são, assim respeitando mais o discernimento do público. De aceitar as rivalidades como naturais de todos os esportes e assim compreender que nas corridas, no boxe, no futebol ou mesmo na vida, rivalidades não são brigas. Entre outras coisas, as disputas esportivas são uma forma que o ser humano encontrou para extravasar seus instintos mais competitivos sem ter de recorrer às vias de fato. Após milhares de anos de evolução, o homem é um bicho que tem o domínio da sua fúria, mas isso não significa que os instintos mais básicos não habitam uma caverna, bem lá no fundo de cada um de nós. Saber o momento de liberar e controlar esses instintos é o que nos diferencia tanto dos robôs sem sentimentos, como das feras selvagens.
É justamente por isso que uma dragway tem duas pistas e não uma só.

domingo, 12 de setembro de 2010

O círculo virtuoso: É dando que se recebe



O chamado círculo vicioso é uma sucessão, geralmente ininterrupta e aparentemente infinita, de acontecimentos e conseqüências desfavoráveis e inevitáveis, mas que se realimentam mutuamente tornando a situação quase impossível de reverter, pois ação e reação se tornam muito dificeis de identificar.

Já o círculo virtuoso é a mesma coisa só que ao reverso: É uma sucessão contínua de ações e reações que se realimentam sem causas e consequencias facilmente identificáveis, mas o resultado, ao contrário do círculo vicioso, é favorável.

São sempre as nossas ações que realimentam o ciclo, mas ele não é gerado ao acaso e também, embora muitas vezes possa parecer, não é infinito ou eterno. Conforme os interesses, as conjunturas e um sem número de outros fatores, são criadas correntes que eventualmente culminam em círculos que podem ser viciosos ou virtuosos, dependendo da mentalidade ou capacidade das pessoas que acabam envolvidas neles.


No ano de 2006 criamos a Associação Desafio ao observar que haviam muitos rachas de rua: Na época, assim como hoje, a maioria das pessoas via nesses rachas uma atividade de bandidos. Mas tivemos outro ponto de vista e achamos que eles representavam uma grande vontade das pessoas de competir com seus carros, não necessariamente de forma ilegal e que isso só estava ocorrendo desta forma por falta de opção.

Então, com o interesse único de incentivar a arrancada amadora, de dar a esse pessoal um lugar para competir fora das ruas, criamos a AD, oferecendo prêmios dos patrocinadores aos pilotos e oferecendo aos patrocinadores publicidade no carro de todos os pilotos participantes. Dessa forma acabamos dando início à um círculo: De um lado os pilotos, de outro os patrocinadores e no centro do círculo a arrancada amadora.

Nada aconteceu sozinho. No início houve resistência de ambas as partes mas aos poucos isso foi dobrado, conforme os pilotos iam vendo as vantagens de receber prêmios e reconhecimento público nos jantares de confraternização ao invés de serem perseguidos pela polícia. E os patrocinadores da mesma forma foram percebendo as vantagens de ter seu nome sempre na boca do pessoal mais ativo na comunidade onde eles comercializam seus produtos.

Mas apesar de genuíno, era ainda um círculo muito pequeno. Envolvia apenas os pilotos amadores e os patrocinadores. O porte mínimo do empreendimento não permitia que a realimentação entre ambos fosse poderosa o suficiente para funcionar sozinha. Isso nos exigiu muito esforço pessoal e sacrifícios.

Quando o número de pilotos ganhou corpo o círculo foi também adquirindo velocidade. Mais gente na ciranda implicava um maior interesse pela atividade e isso comprovava aos patrocinadores que seu investimento não estava sendo jogado fora. Mas francamente, naquela época a maioria de nossos patrocinadores éramos nós mesmos ou os amigos, que mais do que retorno para seu negócio, queriam ver a coisa acontecendo.

Porém, quando chegamos à um número de mais de 50 participantes, percebemos que a AD já tinha tomado um certo vulto, já que as provas de arrancada das quais participávamos em geral, sem nossa participação, giravam entre 60 e 80 carros. Havíamos nos tornado uma parte importante do total e o dinheiro das inscrições que cada um de nossos afiliados pagava aos organizadores não era mais irrelevante para eles.

Ao trabalharmos pelo nosso próprio círculo, acabamos gerando consequencias positivas para os organizadores de provas, que começaram a colher os frutos de nosso trabalho. No início ficamos muito animados com isso, pois agora que estávamos provando, evento a evento, que éramos viáveis, que já havíamos contribuído financeiramente sem nada pedir em troca e esperávamos ter no organizador de provas mais um parceiro poderoso para realimentar nosso círculo.

Com a participação ativa de um organizador de prova poderíamos chegar muito mais longe e atrair cada vez mais parceiros que se realimentariam mutuamente, tornando os ganhos exponenciais para todos os participantes.

Infelizmente os organizadores de provas não compartilharam da mentalidade do círculo virtuoso. Estavam atrelados a um sistema antigo e desgastado no qual a federação cobrava taxas compulsórias de todos, não retornava nenhum benefício e determinava, baseada em seus próprios interesses, como deveriam funcionar todos os eventos. Assim, tentaram redirecionar nossos esforços para um círculo vicioso, onde todo o ganho acabava sempre nas mãos dos mesmos poucos e nada retornava para a fonte. A longo prazo, era uma sentença de morte para a AD e um atraso incomensurável para a arrancada amadora.

Conforme cada organizador ia pisando na bola conosco, procurávamos outras saídas, outras provas, outros organizadores para levarmos nosso círculo, nossos afiliados e o dinheiro das inscrições. O que pedíamos em troca: Apenas participar, sem nenhuma regalia, como qualquer outro piloto.

Peregrinamos do Sambódromo de Porto Alegre ao Velopark em Nova Santa Rita, passando pelo Metropolitano em Tarumã, Arrancada Cup em Santa Cruz do Sul e Street Rules Day em Guaporé. Em todo o lugar onde fomos os organizadores sempre tiveram a mesma postura: Fechar o círculo em si mesmos e lucrar com nossos afiliados, sem devolver nada ao círculo. Transformaram nosso trabalho em um círculo vicioso, no qual não importava o que se fazia o resultado era sempre o mesmo: Todos contribuíam e uma única parte se beneficiava dos esforços do grupo, sem nunca realimentar o círculo. E como no círculo vicioso clássico, ao quebrarem a cadeia o evento não crescia. E usavam esse argumento para justificar que não valia à pena investir no que organizávamos, pois o retorno que trazíamos não era viável.

Assavam a galinha, comiam sozinhos e depois nos culpavam por não terem mais ovos.

Mas recentemente as coisas mudaram mais uma vez, quando o Velopark decidiu que o Open Day, evento do qual participávamos, seria realizado numa terça feira à tarde, em apenas 201 metros, o preço de inscrição seria aumentado para R$100,00 e as puxadas seriam divididas em categorias. Era a exata antítese de tudo que sempre pedíamos quando nos reuníamos com eles. Não conseguimos ver justificativas razoáveis nessas determinações, assim tudo aquilo foi considerado pelo grupo como sendo, no mímimo, uma grande falta de consideração com quem sempre apoiou e promoveu o empreendimento, desde antes mesmo de sua inauguração. Não importava mais o que um ou outro pensava, pois o grupo todo se sentiu menosprezado e traído. A insatisfação com o Velopark, que já era crescente, chegou a um ponto crítico.

Ao mesmo tempo em que isso ocorria, apareceu em um dos jantares de confraternização da AD o Darci Júnior, representando o Racha Tarumã. Ao final do jantar ele subiu no palco, pegou o microfone e começou a falar coisas como: "Fiquei impressionado com a organização de vocês" ou "Seria uma honra para nós recebê-los no Racha" e "Podemos providenciar um sistema de cronometragem para viabilizar a participação de vocês".

Foi o suficiente. Se a pista não era nem parecida com a do Velopark, o reconhecimento e a humildade com que a equipe do Racha se apresentou para nós, nos procurando, nos convidando e dizendo que estavam dispostos inclusive a investir na infra-estrutura da prova... Bem, tudo isso também era muito diferente. A principio parecia que era até bom demais para ser verdade. Mas a humildade denota grandeza e apesar de sempre cético, eu vi ali boas perspectivas de futuro.

E o tempo trouxe os resultados da parceria AD-Racha Tarumã, as "Noites do Desafio". Esses resultados foram simplesmente impressionantes. Recordes de número de carros, de qualidade dos participantes, de público e até mesmo dentro da pista.

Mas nada disso ocorreu por acaso. Marcio Pimentel, o administrador do Autódromo de Tarumã mostrou que sua atitude ia além do discurso e investiu mesmo na compra de um equipamento de cronometragem, coisa inédita nos 13 anos do Racha. A palavra "parceria" foi levada a sério e a AD participou ativamente da organização da prova enquanto a equipe do Racha ofereceu a infra-estrutura do evento. As inscrições para os pilotos da AD foram franqueadas. Até mesmo nos anúncios do rádio a AD recebeu crédito e teve papel ativo.

Após os estrondosos resultados da primeira prova, Pimentel sentiu que estava em um bom caminho e investiu ainda mais: A cronometragem que havia sido um dos problemas da ND1, agora seria resolvida através da convocação de Jaime Kopp, referência nacional no assunto. Tudo o que funcionou continuaria igual e agora a organização investiria também em parceria com a AD no tratamento de pista. Os pilotos receberiam prêmios em dinheiro e o mais importante: Seria lançada uma revista, a "Acelera!", com o objetivo de valorizar as conquistas dos pilotos e da comunidade que participam do Racha Tarumã, espalhando-as com orgulho para fora desse círculo.


Tudo isso foi levado à cabo e conforme o esperado os resultados foram novamente excepcionais. Mais público, mais organização e o número de pilotos teve de ser limitado. A repercussão foi enorme mais uma vez e além da prova, a revista Acelera também tem sido um sucesso por todo o país, com suas versões impressa e virtual.

Com isso o Racha Tarumã saiu ganhando muito mais do que todos os outros organizadores com quem trabalhamos até hoje, pois abraçou a idéia do círculo virtuoso. Devolveu ao círculo a energia que dele recebeu e não deixa de ser irônico que aquele que mais deu, foi também o que mais recebeu.

Mas o mais importante é que a partir daí, o círculo se renovou: Novos pilotos conheceram o evento, se empolgaram em tirar os carros da garagem e participar. Levaram para as oficinas de preparação, lotaram as lojas de performance da área, fizeram fila para testar no dinamômetro de rolo, compraram mais lanches, mais camisetas, lotaram as arquibancadas e com isso trouxeram ao círculo a possibilidade de angariar mais patrocinadores.

Os meios de comunicação estão cada vez mais interessados no evento e isso faz com que a arrancada transcenda  aos poucos seu pequeno mundinho fechado e se torne um esporte de apelo para um grupo demográfico mais amplo. Todo esse frenesi atrai mais pilotos ainda e olhando de fora não há mais como saber onde o círculo começa e onde ele termina. Foi para isso que sempre trabalhamos e nos traz grande satisfação ver o mercado se aquecendo dessa maneira.

Esperamos com ansiedade as provas futuras e novamente estamos com grande expectativa de crescimento desse mercado, desse círculo que criamos em torno da paixão pela competição. Seguiremos alimentando-o, para que cresca ainda mais, até que o esforço para mantê-lo firme e forte não pese tanto sobre tão poucos e ao invés disso seja dividido por uma comunidade forte de pilotos, preparadores, donos de eventos, fabricantes, lojistas e todos aqueles que fazem parte dos mercados de performance e competição.

Todo esse mercado ainda é apenas um embrião, uma simples amostra do que ele pode se tornar num futuro não tão distante. Este é um momento de plantar e não apenas colher. Assim, todos sairão ganhando, mas o maior beneficiado será o esporte.

sábado, 30 de maio de 2009

Arrancada é racha?

As discussões sobre as origens, essência e dinâmica do esporte tem se intensificado nos últimos dias na área de atuação do Velopark, graças a alguns acontecimentos que vocês vêm acompanhando aqui pelo 1320. De um lado estão os conservadores pilotos "profissionais" da arrancada tradicional brasileira, defendendo os carros-bomba a cultura do recorde e de outro estão os pilotos amadores representantes de uma nova contracultura, que buscam regras mais competitivas e um tipo de disputa mais acirrado, de maior apelo ao público.

É mais do que claro que a arrancada precisa passar por uma reforma total, para que possa se adequar a nova dimensão que os grandes organizadores que estão entrando no jogo querem imprimir ao esporte. Grandes dragways com estrutura de primeiro mundo requerem uma atendência de público condizente com o investimento dos organizadores e as inscrições de pilotos representam tão pouco nesse contexto, que já se tornaram uma renda não só dispensável, como muitas vezes efetivamente franqueada. A chave é o público: Sem ele, não há viabilidade comercial.

A discussão agora é: Que modelo será adotado para que se chegue ao sucesso da arrancada como esporte em franco crescimento? Carros correndo solitários em busca de um recorde, com apresentações bombásticas no bom e no mau sentido, ou pilotos imbuídos da firme determinação de levarem suas máquinas intactas até a última disputa, derrubando a cada etapa adversários que muitas vezes são mais poderosos que eles mesmos e erguendo-se ao final como grandes vencedores?

Com quem o público irá se identificar mais?

O irônico dessa discussão é que a cultura da arrancada amadora é apenas uma volta às raízes mais profundas do esporte, que remetem a um tempo em que não existia cronometragem ou recordes. Existiam apenas as rivalidades entre pessoas, oficinas, marcas... E essas diferenças eram resolvidas em ruas, estradas, aeroportos, desertos e, quando passaram a existir, pistas próprias para esse fim.

E então vem a chocante revelação, que a maioria dos representantes do pensamento quadrado e convencional tenta varrer para baixo do tapete, como se pudéssemos esconder do mundo a real origem das coisas: - A arrancada nasceu dos rachas de rua!

Então racha é arrancada? Arrancada é racha? O racha suja o nome comercial da arrancada? Ou será que já chegamos a um ponto tão surreal, em que a arrancada é que suja o nome comercial do racha?

A pergunta pode parecer absurda, mas eventos como o Racha Tarumã e o Racha Interlagos, além de incontáveis outros que ocorrem nos autódromos de todo o Brasil tem obtido grande sucesso de público através de uma competição simples, sem cronometragem onde chegar na frente é o que determina a vitória e ponto final, enquanto vemos provas tradicionais à beira da falência, pois não apresentam nenhum apelo ao público.

Essa discussão é deveras desgastante e embora só exista uma resposta com viabilidade comercial, talvez muitos pilotos ainda tenham os olhos e a mente voltados exclusivamente para um passado mais recente, onde a arrancada era uma mera diversão de pessoas que costumavam impressionar mais pelo equipamento importado do que pelos resultados em si e que não se contentavam sem receber os "mimos" dos organizadores.

O triste é que talvez ainda existam tantos representantes dessa cultura decadente, que seja impossível implementar a mudança, adiando, ainda que apenas um pouco mais, um futuro que não pode ser evitado. Criando desse modo uma "idade das trevas" da arrancada, onde existem todos os elementos para o sucesso, mas que por ignorância ou falha mútua das partes, jamais se combinam, criando um fracasso que pode até ter uma data para acabar, mas, guardadas as devidas proporções, cujas consequências podem ser tão nefastas como as agruras da própria idade média.


Tenho visto o Velopark trabalhar contra isso, do mesmo modo que os mecenas renascentistas trabalharam para dar fim a era medieval, incentivando uma nova cultura baseada nos valores mais essenciais do esporte, que por sua vez são os valores mais básicos da própria competitividade inerente ao ser humano: Vencer ou perder. E considero isso claramente como uma demonstração de visão de futuro, principalmente quando para isso é preciso enfrentar a resistência dos próprios pilotos!

E não, arrancada não é de maneira alguma racha de rua. Pessoas correndo como loucas por entre carros, motos e pedestres não estão praticando esporte, do mesmo modo que bruta-montes e criadores de tumulto de plantão não estão praticando esporte ao espancarem pessoas nas festas ou em brigas de trânsito.

Racha é crime, do mesmo modo que agressão é crime. E arrancada é esporte, do mesmo modo que boxe ou jiu-jitsu são esportes. Não se trata de fazer baderna nas ruas, isso está pra lá de fora de cogitação. O esporte é uma atividade que tem por objetivo despertar nas pessoas os valores da ética, da responsabilidade, do civismo e da educação. O principal papel social do esporte é representar justamente uma alternativa àqueles que em algum momento se desviaram do caminho da harmonia com os outros integrantes da sociedade.

Mas é justamente por isso, que o esporte precisa manter as pessoas interessadas, não podendo se tornar uma atividade por demais elitista, ou ainda pior: Uma atividade maçante, desinteressante, entediante. O esporte precisa manter o dinamismo da atividade que lhe dá origem. O esporte precisa manter a emoção. Não haverá lugar no mundo para um esporte de luta sem combate, do mesmo modo que não haverá sucesso para arrancada sem enfrentamento, pois essa é a própria essência do esporte.

Não, arrancada não é racha. A arrancada forma esportistas e o esporte forma melhores cidadãos. É algo mais elaborado, mais complexo e até mais excitante. Mas desde que não perca a ligação com suas raízes ao ponto de tornar sua dinâmica totalmente incompatível com a sua essência.

E não esqueçam:

Race the strip, not the street!

sábado, 23 de maio de 2009

Mata-mata?


O acontecimento mais comentado do momento é a reunião de pilotos no Velopark, tentando formar uma associação para fomentar a arrancada, que já foi comentada no post anterior.

E como foi comentado também no post anterior, o resultado desse encontro foi muito decepcionante, em função dos pilotos quererem fomentar apenas a si próprios. Mas é lógico que nem tudo naquela reunião foi inútil. E mesmo que com o pé esquerdo, se deu um primeiro passo para abrir as discussões realmente importantes para a arrancada.

O tema principal foi o mata-mata, ou corrida com eliminatórias, na qual o piloto precisa alinhar contra um adversário e vencer a puxada, independentemente do seu desempenho até aquele momento dentro da competição. É mais ou menos como a Copa do Brasil, onde os times vão se enfrentando e o vencedor elimina o perdedor para poder seguir adiante na competição.

Esse é o sistema que o Velopark adotou e teve a coragem de manter, por acreditar ser o único caminho para o crescimento do esporte. Mas o Velopark não foi o único a pensar dessa forma no início da temporada de 2009. Antes do começo das provas, os principais organizadores se reuniram para criar um regulamento unificado, inclusive determinando que todas os organizadores deveriam adotar o sistema de mata-mata.

Entretanto essa inciativa também já nasceu furada, pois os dois principais organizadores, de Curitiba e Piracicaba roeram a corda logo no início. Aconteceram também reuniões de pilotos em outros estados, que pressionaram os organizadores a desistir do sistema de eliminatórias, mantendo o sistema antigo. E eles cederam.

É interessante, para que o leitor compreenda, que expliquemos como funciona o sistema convencional adotado pelos outros organizadores: Cada piloto tem um número predeterminado de passadas para dar na pista. Cada passada é encarada como uma oportunidade de melhorar seu tempo. Ao final da competição, que pode durar dois dias, o piloto que tiver conseguido o tempo mais baixo em qualquer uma das puxadas, independentemente do dia, sai vencedor.

Essa metodologia tem diversas consequências danosas ao esporte e ao espetáculo: É possível que uma equipe vá para a pista e faça um bom tempo no sábado, quebre o carro logo na primeira passada e mesmo assim saia vencedora da competição se nenhum carro conseguir baixar esse tempo. Nada pode ser mais confuso para um espectador que veio assistir a prova no domingo, do que ao final do dia ver no alto do pódio um piloto que nem estava participando da competição naquele dia.

Ao valorizar apenas a puxada mais rápida, qualquer tentativa de arrancada que não sair perfeita logo do início em geral é abortada, pois representa apenas desgaste ao equipamento e não terá nenhum valor, mesmo se ficar apenas um centésimo de segundo acima do melhor tempo do piloto até aquele momento.

O piloto que percebe que seu tempo é de alguma forma imbatível, seja por causa da baixa qualidade dos oponentes, pela ausência de oponentes ou mesmo pela mudança das condições atmosféricas (chuva por exemplo), sabe automaticamente que tem a vitória no bolso e não precisa mais acelerar e arriscar a quebra de seu equipamento (que é propenso a quebras em função do próprio sistema que só valoriza a velocidade e não a constância) e muitas vezes nem sequer volta para a pista.

Mas talvez o pior dos problemas seja que com esse sistema só é preciso uma pista! Afinal, mesmo com os carros arrancando lado a lado, a corrida em si é apenas figuração, pois chegar na frente na puxada não tem valor algum, só o que vale é o melhor tempo.

É como abolir a corrida principal e dar a vitória para o melhor do treino classificatório. Mas se não há corrida, o que o espectador vai pagar para assistir? É um sistema que só tem apelo para aqueles que estão envolvidos nele a tal ponto, que deixaram de enxergar o espetáculo extremamente entediante que estão protagonizando para aqueles que vieram assistir uma corrida de carros.

Todos esses elementos juntos resultam em competições onde simplesmente não há o que assistir, exceto carros acelerando sozinhos como loucos. Não existe disputa, não existe vitória, não existe derrota. Se der errado, volta-se para o box e se espera a vez para mais uma tentativa de quebrar o recorde.

O piloto da categoria FLD, Luciano Nichetti, defendeu esse sistema alegando que essa é a dinâmica do esporte. Respeito muito esse piloto, seus resultados e também suas opiniões, mas infelizmente não posso concordar com essa. A dinâmica a que ele se refere, é a DESSE TIPO de arrancada, que como disse acertadamente na reunião Jhonny Bonilla, só existe no Brasil. A dinâmica da arrancada nada tem a ver com regulamentos ou categorias. A verdadeira dinâmica da arrancada é originária da pura e simples disputa entre dois carros em um determinado trecho de pista, muito antes mesmo de sequer ser inventado o sistema de cronometragem. A dinâmica da arrancada é: Dois carros arrancam, um vence e um perde.

Pura e simplesmente. Todo o resto são apenas convenções, aceitas por uns e recusadas por outros.

Porém, a implantação do mata-mata nas provas também não resultou em uma competição emocionante. Os pilotos fazem muitas alegações vazias, apenas no afã de manter o sistema com o qual estão acostumados, mas eventualmente eles fazem observações válidas. Uma delas, é que em caso de um rendimento inferior do adversário, o piloto percebe a falha e não precisa mais acelerar, protagonizando assim os dois, uma arrancada sem emoção. Percebem também corretamente, que ocorrem muitas quebras, queimas e falhas, e que com o pequeno número de carros em cada categoria, a competição pode muito bem acabar antes mesmo de começar, devido a esses percalços dos pilotos e das equipes.

E culpam o mata-mata por isso. Contudo, sejamos sinceros: Não seria isso culpa mais uma vez, dos próprios pilotos e preparadores?

Quem aí já assistiu uma partida de boliche profissional? Bem, para quem não sabe, bons jogadores não ficam felizes quando fazem um strike. É a obrigação deles fazer vários em sequência e aquele que primeiro perder a concentração ou o controle dos nervos vai perder um pino. E seu adversário não vai. Aí é que ele perde.

Então pilotos e preparadores constróem carros incapazes de dar 4 ou 5 puxadas em sequência sem uma quebra, os famosos carros-bomba. E aí por conta de suas próprias incapacidades, culpam o sistema? Me disseram esses dias que eu com a "minha mentalidade", queria transformar a arrancada em endurance...

Endurance...

Endurance?! Por favor!

Cinco passadas de 402 metros sem quebras agora é algum tipo de recorde de resistência? Já há vinte e cinco anos atrás os carros de fórmula 1 utilizavam motores de 1500 cc, turbocomprimidos com mais de 1000 cv, 4,5 bar de pressão e com esses motores faziam uma corrida inteira com o pé na lata! São quase 200 km por corrida e um carro de arrancada com toda a tecnologia de hoje não pode percorrer sequer um centésimo disso?

Carros de rua vão para a pista em eventos Open hoje em dia e fazem dez, quinze passadas acima de 200 por hora... E os carros de corrida não podem?

Gente, a regra é essa: Não interessa quem faz o melhor tempo ou o rééééécorde com seu carro-bomba. O que vale é estar na pista na hora da final, arrancar e vencer. E se fosse fácil, já estava todo mundo fazendo, ao invés de passar o dia quebrando! Se todos os pilotos fizerem isso, a emoção já vai aumentar.

Entretanto ainda resta outro problema grave: O número de carros por categoria. Nunca vai acontecer uma prova emocionante quando só dois ou três carros disputam a vitória. O número de carros inscritos numa prova de arrancada não é pequeno, fica sempre perto dos cem carros. Mas eles não arrancam entre si, esse é o problema. E como vamos resolver isso?

Vamos quem? Cara pálida!

Pra mim já chega de polêmica por hoje!

sexta-feira, 22 de maio de 2009

É bomba!


Certos assuntos nascem polêmicos. Não sei se é feliz ou infelizmente, só sei que é assim. E quando fui convidado para uma reunião de pilotos no Velopark com o intuito de "melhorar a arrancada", senti que seria um desses momentos.

O Velopark desde sua criação, planeja construir um autódromo de nível internacional para receber provas importantes como F-Truck, Stock Car, endurance e outras. A construção dessa nova pista aliada ao fracasso das arrancadas de nível local, começou a deixar alguns pilotos dessa modalidade com receio de que o Velopark fosse virar as costas para eles.

Tenho que admitir que não é um medo completamente infundado, pois o Velopark é um negócio e não pode manter em seu calendário, que ficará cada vez mais concorrido, provas de arrancada falidas que dão prejuízo.

Então, incentivados pelo próprio Velopark, alguns pilotos locais empreenderam uma tentativa de formar uma associação de pilotos, exatamente igual à Associação Desafio, porém segundo eles, em nível profissional. Os objetivos seriam os mesmos: Lutar pelo crescimento da arrancada. E era disso que se tratava a reunião.

Todos expressaram opiniões, mas a maioria delas eram auto-centradas, com ênfase total nas necessidades dos pilotos. O egoísmo desconcertante da maioria ativa emudeceu aqueles que pensavam diferente. Só se conseguiu falar nas injustiças cometidas pela organização do Velopark que dava incentivos para uns e não para outros, nas injustiças cometidas pelo vistoriador que leva o livro demais à risca, nas injustiças cometidas pela CBA e FGA e sobre o sistema de mata-mata, que era o mais injusto dos sistemas, pois nele o carro mais rápido não ganha a corrida...

Os pilotos não entraram naquela reunião como agentes da mudança. Eles entraram como vítimas. Vítimas do Velopark, vítimas do Carlos "Português" de Deus, vítimas do vistoriador e até vítimas do locutor, que não narra os recordes deles da mesma forma que narra os recordes dos pilotos de outros estados...

Não houve em nenhum momento um esboço de auto-crítica, de reflexão sobre os problemas da arrancada como a falta de público, e o número pequeno de pilotos por categoria. Só se ouviu reclamações que variavam entre a inexistência de uma categoria para carros com "pistão e biela originais", chegando ao absurdo de reclamarem sobre excesso de rigor nas vistorias de segurança, que existem para garantir a segurança do próprio piloto!

Mas o ponto quente da reunião foi quando os pilotos reunidos juntaram suas vozes para reclamar do sistema de mata-mata, para o diretor do Velopark, Jhonny Bonilla.

Pensando nisso agora tento me colocar no lugar dele, que viajou para conhecer as pistas de primeiro mundo, que se preocupou com uma estrutura física de primeira linha para o parque, com área verde, estacionamento, banheiros e vestiários limpíssimos, arquibancadas para todos, boxes perfeitos, sala de imprensa, internet wireless nas dependências de todo o complexo, sistema de som, placares gigantes, cronometragem de ponta e uma pista que é um verdadeiro tapete vermelho dando as boas vindas aos amantes do esporte.

Tudo isso no quintal de casa não é o suficiente? É preciso também morcegar a ajuda de custo dos pilotos que vem de outros estados? É preciso reclamar até quando o Velopark tenta fazer cumprir os regulamentos que visam a segurança da vida e integridade física do próprio piloto? Que visão tem Jhonny Bonilla sobre essas pessoas? Que visão tem Felipe Johannpeter sobre essas pessoas? Qual o tamanho da decepção do Velopark ao tomar contato com esse tipo de mentalidade?

Vamos colocar a mão na consciência! O Velopark é a pista de arrancada dos sonhos de qualquer estado, apoia os pilotos, oferece espaço para a reunião e lhes serve até cafezinho! E esses mesmos pilotos ao invés de utilizar esse espaço para fazerem uma avaliação crítica dos próprios erros, ficam reinando com besteiras e querendo mudar aquilo que já está muito acima do nível que eles mesmos alcançaram como pilotos, equipes e até mesmo como esporte!

Jhonny com uma paciência digna de de Jó, ficou ouvindo as reivindicações e explicando aos pilotos que segurança é fundamental, que não se pode criar uma associação de pilotos com o objetivo de confrontar a federação e que os pilotos de outros estados merecem toda a atenção do Velopark, afinal são responsáveis por cerca de 80% das inscrições, pois os gaúchos não vem...

Explicou também que o mata-mata é a única forma de praticar o esporte e que as vitórias por tempo mais baixo só existem no Brasil, sendo uma deturpação do real formato do esporte. Jhonny disse que o Velopark vai correr da forma certa e que não vai ceder ao pedido dos pilotos, pois esse pedido vai contra eles próprios.

Assim mesmo as reclamações não cessaram, até o embaraçoso ponto em que os próprios pilotos e preparadores disseram que seus carros não são capazes de competir em uma prova com eliminatórias e Jhonny surpreso com aquela declaração perguntou:

"Então vocês estão me dizendo que fazem carro-bomba?"

E o mais impressionante foi a ingênua resposta dos pilotos e preparadores:

"Sim, fazemos carros-bomba, é tudo no limite."

Finalmente aquela declaração me deu a dimensão real do abismo que existe entre a mentalidade vigente na arrancada e o sucesso do esporte: Imenso. O abismo é simplesmente imenso.

Me pergunto: Será que algum dia a mentalidade dessas pessoas vai evoluir até o ponto necessário para que a arrancada se torne um esporte legítimo e de fato profissional?

Os pilotos de hoje tem para si a noção de que o Velopark deve alguma coisa a eles, como adolescentes mimados que acham que o pai tem a obrigação de pagar-lhes todas as contas. Que tem a obrigação de correr atrás para verificar se o piloto tem cinto, tem banco, tem segurança, da mesma forma que uma mãe fala pro filho: "Meu tesouro, não se esqueça de levar um agasalho!"

Choram quando batem o rééééécorde, mas são eliminados, justamente porque o carro-bomba anda, mas só até "explodir". Acham que é direito seu estar na final, porque conseguiram andar bem uma vez no final de semana, convenientemente esquecendo que o carro quebra justamente porque foi exigido acima do que podia dar! E como fica o espectador que foi para a pista pra ver o pega de um carro que está entrevado no box? Não é justo, eles dizem...

Não é justo?

Justo pra quem?

Pra quem é o show?

Não é justo é com o público, isso sim! Ver uma corrida sem pé nem cabeça, onde 70% das puxadas são queimas, quebras ou desistências. Não é justo com o público oferecer um show sem emoção, sem enfrentamento, sem disputa. Quando é que vai cair a ficha de que os eventos agora são para o público e não mais para os pilotos? É curioso, afinal querem ajuda de custo com inscrição isenta, mas não ligam se o espetáculo não é atraente ao público... Supostamente o dinheiro então deve vir de onde?

"Não é justo, porque meu carro anda mais rápido..."

E quem quer saber disso? O público não quer saber do que poderia ou deveria acontecer conforme as idéias de pilotos, preparadores e ratos de oficina! Não quer saber quem tem o equipamento melhor ou mais caro. Quem tem o preparador mais famoso. Ele quer saber quem tem talento, competência e capacidade pra enfrentar todos os outros e no final sair vitorioso! Ou quem sabe ao menos ter a honra de ter dado trabalho duro ao vencedor.

Não é o carro que ganha, é o PILOTO. Ao retirar toda a responsabilidade das costas do píloto, a arrancada de hoje coloca todo o valor em cima do carro e ao mesmo tempo retira todo o apelo popular do esporte.

Chega de choro, chega de réééécorde, chega de carro-bomba. É a hora do mea culpa! É a hora da auto-crítica! Se o público não vem, não é por causa do Velopark, é por causa do show que é fraco, confuso e entediante. Não se sabe quem ganha, não se sabe quem perde e não se sabe sequer quem está correndo! Deus que impeça essa arrancada de chegar à TV, pois se isso ocorrer, o esporte vai ficar estigmatizado para sempre!

Que venha o mata-mata de verdade, que se reduza o número de categorias e que se separe os carros lentos dos carros rápidos. A arrancada é para homens e mulheres de virtude e não para bebês chorões. Para estar entre os ídolos, é preciso merecer. É preciso resultado. E na arrancada, o mais forte é o mais rápido.
Disputa!

Dedicação, talento, raça, superação, honra... FORÇA!

Emoção!

Vitória, derrota... Choro: De raiva, de tristeza, de felicidade...

Respeito ao público. Show, espetáculo!

No final do dia, só restará o melhor. E esse será o ídolo.

Pilotos, preparadores, fãs... Vamos crescer através da autocrítica!

sábado, 8 de novembro de 2008

From street to strip.


Carta Aberta

Esta é uma carta aberta ao Paulo Machado da EPTC e à Marcela Donini da Zero Hora, bem como à todos aqueles da nossa comunidade que tem interesse nesse assunto tão polêmico.

O motivo é a reportagem de hoje em Zero Hora, escrita pela Marcela e com comentários do Paulo, na qualidade de responsável pela coordenação de operações especiais da EPTC, no seguinte link:

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2286534.xml&template=3898.dwt&edition=11053&section=1042

Bem, em primeiro lugar, gostaria de deixar muito claro que sou totalmente contra rachas de rua e aglomerações em lojas de conveniência. E faço parte de um grupo cuja base é exatamente esse pensamento em comum. Esse grupo foi criado em 2006 e teve por objetivo convencer os motoristas que aceleravam seus carros nas ruas da cidade a pararem com isso e participarem de competições de verdade, em locais adequados e que não pusessem a segurança dos outros em risco.

Na época, enfrentamos muita resistência desse pessoal, mas acabamos conseguindo que muitos dos que hoje estão perturbando na Nilo Peçanha e adjacências, se engajassem nas competições fora das ruas, o que reduziu drasticamente os rachas em Porto Alegre. Infelizmente esses jovens nunca abandonaram a idéia de fazer baderna nas ruas, um comportamento que naturalmente não foi aceito pelos outros membros. Por esse motivo, em julho desse ano os baderneiros acabaram saindo do grupo e imediatamente começaram a se organizar mais uma vez para fazer as arruaças que hoje atormentam os moradores daquela região.

Somos muito cientes da influência positiva que nosso grupo é capaz de exercer no trânsito de Porto Alegre, mas essas pessoas que possuem a disposição para afrontar a polícia e a EPTC e continuar cometendo crimes de trânsito, não nos interessam. O que nos interessa é oferecer a chance aos outros jovens que tem paixão por carros e por corridas a não cairem nesse submundo que é prejudicial a todos que dele participam, mesmo que involuntariamente como os vizinhos desses locais, por exemplo.

Nosso grupo incentiva a canalização dessa paixão através dos meios corretos e legais, ou seja: Dentro de uma pista de corridas. Para isso, contamos com o apoio de empresas que patrocinam nossas iniciativas através prêmios entregues aos vitoriosos em nossas competições e uma rede de descontos para os associados, com o trabalho voluntário dos participantes do grupo e também com o apoio dos pais dos jovens, que vêem nessa iniciativa uma solução para tirarem os filhos dos rachas, pois as corridas na pista oferecem as mesmas emoções sem infringir a lei e com a segurança de um local adequado para as provas, com equipe de resgate, paramédicos, bombeiros, ambulância , enfim: Toda uma infra-estrutura voltada ao piloto. E mesmo aqueles pais que não simpatizam com a velocidade das corridas, aderem ao sistema quando percebem que seus filhos ao invés de andarem sem paradeiro pelas madrugadas da cidade, passam a se reunir em casa com os amigos, para trabalharem no carro para a próxima corrida.

Então vem o motivo da minha preocupação: Há que se saber separar o joio do trigo e nesses momentos a generalização certamente não será a melhor resposta.

Foi com apreensão que li quando o Paulo falou à Marcela que os jovens se organizam para cometer crimes pela internet e também que alguns desses jovens podem ser encontrados em pistas de corridas. O grupo de que faço parte, a Associação Desafio faz exatamente isso: Organiza-se pela internet para participar de corridas, porém somente em pistas próprias para esse fim. E também repudiamos toda e qualquer manifestação de apologia aos rachas em nosso fórum, cujo acesso é totalmente liberado para qualquer pessoa, bastando entrar no seguinte endereço: www.categoriadesafio.com.br/forum. Contudo, para poder postar, ou seja, escrever suas idéias para que os outros membros leiam, é preciso estar não só cadastrado, mas também apresentar-se publicamente para os outros membros do fórum. E se a pessoa for considerada um "fake", ou seja: Um perfil fictício, uma pessoa que não existe, alguém que fornece dados falsos para não ser identificado, ela não é liberada para postagem. Tudo isso para garantir que não exista nenhum tipo de incentivo à praticas ilegais por parte de usuários que escondem sua identidade verdadeira.

A arrancada é um esporte e o racha é um crime. Na cidade de Nova Santa Rita, existe um complexo de R$ 20 milhões chamado Velopark. Esse empreendimento reúne as melhores pistas de Kart da américa latina, o projeto em execução para um autódromo internacional de alto nível e também a melhor pista de arrancada do continente, tudo isso dentro de um belo parque com churrasqueiras e muita área verde. Após seis visitas ao empreendimento, ainda em fase de construção, nosso grupo conseguiu no final do ano passado que o Velopark criasse um evento especialmente para que os carros de passeio pudessem participar de uma prova de arrancada. Lutamos muito para conseguir que não fosse necessário aos pilotos de final de semana que adquirissem uma carteira de piloto profissional, cujo custo faria com que a maioria deles seguissem acelerando somente na rua, inviabilizando o próprio evento. Foi difícil e as negociações foram muito desgastantes, mas no final das contas após muito nos negar esse direito no ano de 2007, através do Velopark a FGA (Federação Gaúcha de Automobilismo) cedeu e permitiu as provas. O interesse dos pilotos amadores foi tanto que superou em relação de três para um o número de pilotos profissionais nas provas.

Além do fim social de tirar os rachas da rua, de oferecer um ambiente saudável para que os participantes das arrancadas amadoras respeitem sempre a lei quando estão fora das pistas, além do trabalho que fazemos para fortalecer um esporte amador que sofre tanto preconceito por parte da opinião pública que frequentemente (com auxílio da mídia) o confunde com racha, nosso grupo também aproveita a força de sua união para organizar campanhas de doações de alimentos para asilos, creches e outras instituições carentes, que estão documentadas em nosso site no seguinte link:

http://www.categoriadesafio.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=49:projeto-participacao-solidaria-ad

Tivemos uma longa estrada desde 2006 até aqui e não gostaríamos que nossa imagem acabasse manchada por pessoas cujas atitudes somos os primeiros a combater. Para isso, contamos com a compreensão e colaboração do poder público e também da imprensa. E do mesmo modo, nos oferecemos para ajudar em qualquer campanha de educação para o trânsito que vise a canalização da energia dos jovens dispostos a correrem, para que o façam da forma adequada: Como esportistas amadores dentro de uma pista e não como criminosos acelerando nas ruas.

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