Na última pesquisa do 1320, perguntamos aos leitores se achavam que carros de tração dianteira teriam chance ou não de vencer o TOP16.
As opiniões ficaram divididas praticamente meio a meio, com 50,5% achando que não é mais possível e 49,5% ainda acreditando que é possível.
É sabido que carros de tração traseira são naturalmente mais rápidos, em função do peso que é transferido para a traseira do carro, no momento da arrancada. Assim os carros que possuem seu eixo motriz atrás tem sua tração aumentada e os carros que tem o eixo motriz na frente tem sua tração diminuída. Desse modo, a tendência é que em carros com a mesma mecânica, mesmo peso e mesma largura de pneus, a vantagem em capacidade de tração seja clara para o carro com a tração atrás.
No entanto, tração na largada não é o único fator que influencia o resultado final de uma arrancada. Além de uma boa marca nos 60 pés, para conseguir um bom tempo de pista é preciso também que o carro mantenha-se estável durante toda a reta, para que o piloto possa manter o carro na direção certa com 100% de aceleração. O que nem sempre acontece com os carros de tração traseira, sobretudo os Fuscas, que tem o motor atrás, o que desequilibra um pouco o centro de gravidade do carro, tornando-o bem mais difícil de manter na trajetória correta.
Evidência disso podemos ver ao analisarmos os recordes em 201 metros das categorias FLD e FLT, que basicamente possuem mecânicas, peso e pneus similares, sendo a principal diferença o eixo de tração: FLD a tração é na frente e FLT a tração é atrás. Em ambas categorias, o recorde em 201 metros fica na casa de 5 segundos altos, com vantagem para os carros de tração dianteira.
Mas mesmo que eventualmente um carro de tração traseira possa se aproveitar da vantagem natural da tração atrás para conseguir um melhor tempo, em corridas de eliminatória isso não tem o mesmo valor, pois nesse tipo de competição é necessário ter consistência em rendimento de alto nível. É preciso dar várias passadas com o mesmo tempo, pois em eliminatórias não há segunda chance.
Talvez esse seja também o caso de utilizarmos um exemplo de competição por categorias. Na última prova realizada na pista de 201m do ECPA (Esporte Clube Piracicabano de Automobilismo), o melhor tempo de um FLD foi 6,250 e o melhor FLT só conseguiu a marca de 7,621.
FLT e FLD na ultima prova em Piracicaba: 7,6 e 6,2 respectivamente.
Isso nos leva a perceber que, em se tratando de vencer corridas, existe muito mais do que somente o eixo de tração do carro.
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| Team NRG Tech: 8,3@402 |
Quando Chris Miller levou seu Civic para competir no "World Cup" não se preocupou como fato de ter que disputar com carros de motor V8 ou tração traseira. Na verdade esse era o desafio que a equipe procurava. No final, restaram o Civic, 4 cilindros turbo, tração dianteira e um Corvette, V8 turbo, tração traseira. Pelas configurações o resultado parece óbvio, mas não foi bem assim.
Chris e o Civic venceram a batalha e a guerra conhecida por lá como "import vs domestic" e deixaram muito redneck de cara feia. Ainda que tenha sido uma vitória "holeshot", ou seja, na reação, ambos carros fizeram o excelente tempo de pista de 8,5 segundos. Nos 402m!
Para não restar dúvidas sobre a capacidade de briga do dianteiro, é interessante lembrar que o carro de Chris ainda provaria ser capaz de fazer tempos mais baixos, na casa de 8,3. E não nos esqueçamos que trata-se de um carro "montado", similar ao que no Brasil é conhecido como DT-A.
Na terra brasilis, temos o exemplo do último festival em curitiba, ocasião em que o melhor tempo da FLT foi 9,252 enquanto que o melhor tempo da FLD foi 8,634. Tempo esse, que foi marcado pelo gaúcho Leandro Branco.
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| Gol de Leandro Branco: 8,6 em 402, 5,6 em 201. Sem motivo para temer qualquer tração traseira num eventual mata-mata. |
Ou seja, um carro de tração dianteira pode sim ser rápido. Mas a questão é: Quão rápido?
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| Pro FWD de Chris Rado: 6,8@402m |
Esse é o verdadeiro potencial de um carro de tração dianteira em competição. Tudo depende apenas da configuração escolhida pela equipe. O que nos leva a outra questão:
O que é preciso para vencer em Tarumã com um tração dianteira?
No Brasil os melhores carros mais pesados com pneu 8 tem andado na casa de 6,5@201, os mais leves com pneus 10 tem conseguido tempos na casa dos 5,5. Já em Tarumã o tempo mais baixo já obtido numa ND é de 6,4. Pipino e Boca andaram nessa casa na ND9 com seus Fuscas, enquanto os melhores carros de tração dianteira tem andado mais de um segundo acima disso.
O que falta para os dianteiros em Tarumã?
Um pouco de tudo. Primeiramente não temos carros de tração dianteira no mesmo nível de comprometimento com a vitória que hoje vemos na turma dos tração traseira. Os Fuscas e Chevettes de ponta se apresentam com pneus de 10 polegadas de largura enquanto os dianteiros vem se apresentando com pneus 8. Além disso vemos vários carros de tração traseira "full race", com configurações mais leves e com distribuição de peso mais adequada para a competição. Enquanto os dianteiros tem optado por configurações "street", ou "montados", que são layouts mais pesados e com distribuição de peso comprometida.
Analisando os competidores, realmente é impossível não aceitar o fato de que as chances estão ao lado da turma dos traseiros, afinal, estão maximizando seu potencial bem mais que a turma dos dianteiros.
Ainda assim, toda a corrida de eliminatórias conta com diversos elementos para definir o vitorioso: As queimas, quebras e erros dos pilotos. Em 2009 o piloto Fabiano Krentz, contra todas as expectativas, venceu o TOP16 de número 7 com seu Astra turbo de tração dianteira, montado, de rua. Contra diversos carros de competição de tração dianteira, traseira e 4x4 que tinham tempos mais de um segundo mais baixos.
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| Fabiano Krentz e seu Astra turbo |
No primeiro TOP16 de Tarumã, em 2010, Sergio Fontes com seu Gol 96 conseguiu vencer o Chevette de Paulinho Umpierre Rebelo, que tinha tempos notoriamente mais rápidos.
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| Sergio Fontes, após vencer seu terceiro TOP16 |
Isso nos mostra claramente que para determinar o vencedor de uma prova, é preciso analisar muito mais do que o tempo de pista de um carro. A própria vitória de Anderson "Boca" na ND9 não ocorreu após diversas tentativas, todas elas andando com carro de ponta. Foi preciso muito mais do que simplesmente tempo baixo para que Boca chegasse a sua primeira vitória.
Atualmente, estes são os principais pilotos que carregam a bandeira dos tração dianteira em Tarumã:
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| Jorge Pinheiro: 7,9 |
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| Gustavo Stock: 7,9 |
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| Jalmo Peyrot: 7,7 |
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| Sergio Fontes: 7,7 |
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| Roberto Ramos:7,5 |
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| Fabio Benassi: 7,4 |
A nós que estamos assistindo, sobretudo os que são fãs de tração dianteira, cabe aguardar um maior desenvovimento dos carros, para que possam maximizar mais seu potencial, baixando seus tempos e mantendo a consistência. Ou esperar que apareçam carros de tração dianteira com mais potencial de vitórias, para competir de igual para igual com os Fuscas mais leves com configuração full-race.














